Santarém entre os distritos onde mais aumentaram os furtos de combustível
Santarém foi um dos distritos do país onde mais cresceram os furtos de combustível em 2025, num ano em que a GNR detectou um aumento deste tipo de crime em motas, tractores e máquinas agrícolas. Num território com forte peso rural, a subida de 14% expõe a vulnerabilidade das explorações agrícolas.
O distrito de Santarém está entre os territórios do país onde os furtos de combustível mais aumentaram em 2025, segundo dados divulgados pela GNR, num retrato que expõe uma criminalidade cada vez mais ajustada ao mundo rural. Enquanto o número global de furtos desceu ligeiramente no país, a realidade escalabitana seguiu em contraciclo, com uma subida de 14%, a par de Leiria, ficando apenas atrás de Castelo Branco e Viana do Castelo entre os distritos com agravamento mais expressivo.
A leitura dos números ajuda a perceber o problema. Em termos nacionais, a GNR registou 1.700 furtos de combustíveis em 2025, menos 44 do que no ano anterior. A descida explica-se sobretudo pela redução dos furtos em postos de abastecimento, que passaram de 1.205 para 1.084. Em sentido inverso, aumentaram os furtos em veículos motorizados, que subiram para 325 casos, e cresceram também os furtos em depósitos ou máquinas agrícolas e industriais, que atingiram 290 ocorrências. É precisamente aqui que o alerta ganha maior peso para distritos como Santarém, onde a actividade agrícola continua a ter um peso determinante e onde a dispersão territorial, a existência de explorações isoladas e a circulação de maquinaria em zonas menos vigiadas criam condições favoráveis para este tipo de crime. O aumento dos furtos de combustível em motas, tractores e máquinas agrícolas é um sinal de vulnerabilidade de um território com forte componente rural, onde o gasóleo continua a ser essencial para a actividade diária de agricultores e empresas.
A própria GNR admite que este fenómeno tem vindo a ganhar expressão num contexto de pressão sobre o rendimento das famílias e de subida dos preços dos combustíveis. E os dados da criminalidade associada confirmam que não se trata de um problema residual. Em 2025 foram detidas 40 pessoas por furto de combustível, mais duas do que em 2024, tendo aumentado de forma expressiva os detidos em casos ligados a depósitos e máquinas agrícolas, que passaram de 10 para 19. Também o número de suspeitos identificados subiu, de 561 para 599.
No caso de Santarém, a subida de 14% deve merecer atenção redobrada das autoridades e dos proprietários. A GNR recomenda reforço da videovigilância nos postos de abastecimento, estacionamento de motas em locais iluminados e vigiados e, no caso das máquinas agrícolas e industriais, evitar deixá-las durante muito tempo em zonas isoladas ou sem iluminação.


