Sociedade | 21-03-2026 21:00

Creches sem regras alimentares deixam crianças expostas a más práticas

Creches sem regras alimentares deixam crianças expostas a más práticas
Alimentação nas creches nem sempre é pautada por produtos de boa qualidade - foto O MIRANTE

Ausência de orientações nacionais para a alimentação nas creches está a abrir a porta a práticas desiguais e, em alguns casos, desajustadas às necessidades das crianças. O alerta é da Fundação Mendes Gonçalves, sediada na Golegã, que considera “caricato e paradoxal” o vazio existente na resposta pública para a faixa etária dos 0 aos 3 anos.

A Fundação Mendes Gonçalves, com sede na Golegã, alertou para a inexistência de regras nacionais claras sobre a alimentação nas creches, uma falha que, segundo a instituição, está a comprometer a qualidade das práticas alimentares dirigidas às crianças mais pequenas. Em declarações à Lusa, o CEO da fundação, Tiago Pereira, afirmou que a alimentação em creches e jardins-de-infância “não pode continuar dependente da sensibilidade individual de cada instituição”, defendendo uma resposta mais estruturada por parte do Estado. O responsável fala mesmo num “vazio caricato e paradoxal” na política educativa portuguesa no que respeita à alimentação das crianças entre os 0 e os 3 anos. Segundo explicou, esta é uma fase determinante para o desenvolvimento cerebral e para a construção da relação da criança com os alimentos, mas continua sem enquadramento claro a nível nacional.
Tiago Pereira lembra que o Ministério da Educação não tem competências sobre a educação dos 0 aos 3 anos, situação que, na prática, acaba por criar desigualdades entre instituições. “Como não existem orientações claras, encontramos práticas muito positivas e outras claramente inadequadas”, sublinhou. De acordo com a fundação, a realidade no terreno é bastante desigual. Se há creches com exemplos positivos, também existem casos em que continuam a ser servidos alimentos processados, bolachas com açúcar e sobremesas industrializadas, opções que a instituição considera inadequadas para esta faixa etária. A fundação alerta que uma alimentação incorrecta nos primeiros anos de vida pode ter efeitos duradouros. A nutrição é, aliás, apontada como um dos três pilares essenciais para o desenvolvimento cerebral nos primeiros mil dias de vida, a par da vinculação afectiva e de uma educação de qualidade.
Tiago Pereira reconhece que os pais estão hoje mais sensibilizados para a importância da alimentação infantil, mas admite que o ritmo de vida, o stress e a falta de tempo dificultam a adopção das melhores práticas no dia-a-dia. Ainda assim, sustenta que pequenas mudanças podem fazer a diferença e transformar a refeição num momento mais saudável e positivo.

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