Parto no Hospital de Santarém com compressa esquecida no corpo e sinais de más-práticas clínicas
Neydjane Pinto ficou uma compressa no interior do corpo, após o parto. Apesar dos sintomas de infecção, teve alta ao fim de dois dias e ao quarto viu sair parte do material clínico ao fazer força para urinar. Hospital Distrital de Santarém lamenta e abre processo interno de averiguação.
Neydjane Pinto, de 25 anos, teve uma compressa vaginal dentro do corpo durante quatro dias, depois de ter realizado um parto no Hospital Distrital de Santarém (HDS), a 6 de Março. Foi em casa, no Cartaxo, que depois de um quadro de dores e febre, ao fazer força para urinar, viu sair parte da compressa com odor fétido. Transportada de urgência para o hospital, onde lhe foi removida a compressa, apresentou queixa daquela unidade, a 10 de Março.
O conselho de administração (CA) da Unidade Local de Saúde (ULS) da Lezíria do Tejo confirma a O MIRANTE ter tomado conhecimento reclamação apresentada por uma utente relativamente aos cuidados prestados durante o parto. Situação que a ULS lamenta, manifestando “compromisso em apurar, com rigor e transparência, todos os factos associados ao caso”.
“A reclamação foi registada no dia 10 de Março ao final da tarde e, na sequência da informação recebida, foi determinado o início de um processo interno de averiguação, com o objectivo de analisar as circunstâncias em que decorreram os cuidados prestados e esclarecer plenamente o sucedido”, sublinha a ULS. A reclamação será, por obrigação legal, remetida à Entidade Reguladora da Saúde.
O parto foi descrito pela jovem ao Correio da Manhã como “atribulado” e “praticamente todo feito por uma médica estagiária, com as indicações de um médico”, que a determinada altura a deixaram sozinha com a recém-nascida e o pai desta, e com a sutura no períneo por terminar. Só algum tempo depois apareceu uma enfermeira para terminar o trabalho. Depois teve febre, muitas dores que não lhe permitiam sentar ou amamentar a sua bebé de forma confortável. Tinha, contou, de o fazer em pé.
A cidadã brasileira, que está em Portugal há três anos e actualmente a residir no Cartaxo, garantiu ao mesmo jornal que não foi realizado qualquer exame, apenas lhe foi prescrito Paracetamol para as dores. Recebeu alta dois dias após o parto e, já em casa, as dores agravaram-se, tal como a febre. Disse que sentia muita dificuldade para urinar e que por ter parado de beber água acabou por deixar de ter leite para amamentar a filha, o que a afectou psicologicamente. Só na terça-feira, 10 de Março, pelas 14h00, percebeu o motivo para o seu estado de saúde quando, ao fazer força para urinar, saiu parte da compressa. A jovem acabou por ser transportada de ambulância para o hospital com sinais de infecção.


