Sociedade | 22-03-2026 07:00

Autarcas do PS em Azambuja convocados pelo Ministério Público após denúncia do Chega

Autarcas do PS em Azambuja convocados pelo Ministério Público após denúncia do Chega
André Salema - foto O MIRANTE

Eleitos socialistas em Azambuja estão a ser convocados para audições após o Chega ter apresentado queixa por suspeitas de incompatibilidades. Pareceres dizem o contrário, alega presidente de junta.

Os eleitos socialistas em diferentes órgãos autárquicos do concelho de Azambuja, visados numa denúncia do Chega que levanta suspeitas de incompatibilidades no exercício de funções públicas, começaram a ser convocados pelo Ministério Público (MP) para serem ouvidos. A informação foi deixada pelo presidente da Junta de Freguesia de Azambuja, André Salema (PS), na última sessão da assembleia municipal. Dirigindo-se a Carlos Fonte, agora eleito independente (ver caixa) e autor da intervenção que visou vários eleitos do PS, o presidente de junta confessou que ficou indignado com as suspeitas levantadas e que os implicados estão a dar as explicações que têm o “dever e obrigação” de ser dadas.
André Salema fez ainda saber que “chegaram dois pareceres relativamente a esta situação”, um da Comissão de Coordenação de Lisboa e Vale do Tejo (CCDRLVT) e outro da Associação Nacional de Freguesias que referem que “não existe qualquer tipo de incompatibilidade” dos eleitos mencionados no exercício das funções públicas. Esses pareceres, acrescentou, foram também enviados ao MP e entidades competentes. “Todos os pareceres que chegaram até ao momento não concordam com a sua exposição”, atirou.
O eleito pelo Chega, que agora se demarcou do partido ficando como independente, disse, em resposta, que as instituições “estão a fazer o que lhes compete” e vincou que “nunca disse que existia incompatibilidades mas possíveis incompatibilidades”. Na intervenção inicial, o eleito argumentou que existe um número significativo de eleitos pelo PS no concelho de Azambuja que são trabalhadores daquele município, alguns membros de órgãos sociais de associações locais que recebem apoios financeiros municipais e ainda sócios de empresas que têm contratos celebrados com a câmara municipal.
Entre a lista de nomes apresentada pelo Chega está a presidente da Junta de Freguesia de Vale do Paraíso, Madalena Isidro (PS), que é simultaneamente funcionária na Câmara de Azambuja. A exposição foi enviada ao Ministério Público e à Inspecção-Geral de Finanças, com o “objectivo de clarificarem as supostas incompatibilidades”, disse na altura a O MIRANTE.

Desfilia-se do Chega e continua na assembleia como independente
Carlos Fonte, eleito pelo Chega nas últimas eleições autárquicas para a Assembleia Municipal de Azambuja, desvinculou-se do partido e vai continuar o mandato como independente. A mudança não passou despercebida ao presidente da Junta de Azambuja, André Salema, que se disse supreendido com a decisão, tendo em conta que Carlos Fonte tinha criticado, em Janeiro, a vereadora eleita pelo Chega na Câmara de Coimbra que passou a independente.
“O senhor disse: mais uma que se serviu do partido para ser eleita. Tivesse concorrido como independente e veríamos se era eleita. Demita-se, deixe entrar o segundo da lista que foi eleito pelo partido”, disse André Salema referindo-se a uma publicação de Carlos Fonte nas redes sociais. Este, disse em resposta que eram situações diferentes por “não comungar de compadrio político”.

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