Autarca de Casével e Vaqueiros reclama saneamento básico na sua união de freguesias
Não é muito habitual um eleito criticar a gestão autárquica do seu próprio partido e de forma bastante assertiva, mas aconteceu na última sessão da Assembleia Municipal de Santarém. O protagonista foi Miguel Tomás, presidente da Junta de Casével e Vaqueiros, eleito pela coligação PSD/CDS, que se queixou de grande parte da sua união de freguesias não ter saneamento básico.
O presidente da Junta de Freguesia de Casével e Vaqueiros, Miguel Tomás (PSD), aproveitou a última sessão da Assembleia Municipal de Santarém para se queixar da reduzida cobertura de saneamento básico no seu território; do fim do protocolo com a empresa municipal Águas de Santarém que permitia aos cidadãos pagarem a factura da água nas juntas de freguesia; e da taxa de saneamento básico cobrada pela empresa municipal, que encarece substancialmente a factura e que o presidente de junta considera “absurda”. Até porque a maior parte da população das suas freguesias nem usufrui de rede de esgotos.
Miguel Tomás aludiu aos investimentos na rede de esgotos previstos pela empresa municipal Águas de Santarém para as freguesias de São Vicente do Paul e de Abitureiras e deixou claro - dirigindo-se ao presidente da Câmara de Santarém e companheiro de partido, João Leite - que não gostou de ver o seu território ficar para o fim no que toca à implementação da rede de saneamento básico. E, mais tarde, reforçou a sua posição lendo uma carta do presidente da assembleia de freguesia que também expressava o “enorme desalento” por essa união de freguesias “ficar esquecida aos olhos do município”.
“Não se consegue fazer tudo num mandato”
O presidente da câmara, João Leite (PSD), respondeu à letra e recordou que há um ano houve uma reunião com as juntas de freguesia onde os autarcas foram informados da metodologia da Águas de Santarém em relação a investimentos, referindo que nem o presidente de Casével e Vaqueiros nem nenhum outro deu nota da sua preocupação. E disse ter “muito orgulho” no trabalho realizado ao nível do saneamento básico no concelho, ressalvando que não se consegue “fazer tudo num dia, nem num ano, nem num mandato”.
João Leite afirmou que desde que o PSD assumiu a gestão autárquica em Santarém, há vinte anos, a cobertura de saneamento no concelho passou dos 63% para os 94%. E explicou que os investimentos previstos para São Vicente do Paul e Abitureiras vão avançar agora porque foram garantidos fundos comunitários para essas intervenções. Quanto a Casével e Vaqueiros, informou que está a ser ultimado o projecto de execução para essa união de freguesias, no sentido de, quando surgir oportunidade de financiamento europeu, se poder avançar com as obras. “Não dá para fazer tudo ao mesmo tempo”, reiterou, acrescentando que “as coisas têm de ser feitas de forma racional, com equilíbrio, com oportunidade de fundos comunitários”.
Sobre o fim da possibilidade de pagamento da factura da água nas juntas de freguesia, João Leite revelou que, pela informação que obteve da Águas de Santarém, essa medida decorreu de uma exigência da Inspecção-Geral de Finanças.


