Coordenação entre Protecção Civil e bombeiros questionada em Coruche
Uma reunião de balanço aos fenómenos meteorológicos e hidrográficos trouxe para o debate político questões relacionadas com a preparação e articulação dos serviços municipais responsáveis pela protecção e segurança em Coruche.
A articulação entre os Bombeiros Municipais e o Serviço Municipal de Protecção Civil esteve em destaque na reunião do executivo da Câmara de Coruche, com vereadores da oposição a manifestarem preocupações sobre o funcionamento e a capacidade de resposta destas estruturas após os episódios de intempérie e cheias que ocorreram em Fevereiro.
O vereador Osvaldo Ferreira, do movimento independente Volta Coruche, referiu que na reunião realizada na semana anterior à sessão do executivo para fazer o balanço da situação foram levantadas questões que considerou preocupantes. Segundo afirmou, poderá existir algum mal-estar entre os responsáveis dos Bombeiros Municipais e o coordenador da Protecção Civil. E recordou que, segundo foi referido nessa reunião de balanço, a articulação nem sempre terá funcionado de forma harmoniosa, inclusive durante o período mais exigente das intempéries e das cheias.
Entre os aspectos que mais o surpreenderam destacou o facto de ter sido referido que há vários anos não é realizado no concelho um simulacro “digno desse nome”.
Osvaldo Ferreira referiu ainda como preocupante a existência de equipamento relevante, como um gerador, sem que haja quem o possa transportar por falta de habilitação de condução adequada. Considerou igualmente grave a ideia transmitida de que não compete ao município assegurar a formação dos seus trabalhadores para operar equipamentos afectos aos serviços municipais, esperando-se que sejam os próprios funcionários a suportar os custos dessas habilitações. “Se não é o município quem deve garantir essa formação e habilitação, então quem assume essa responsabilidade?”, questionou.
Também o vereador Francisco Gaspar (PSD) disse que permanecem dúvidas sobre o que falhou para que a vila de Coruche tenha sido afectada pelas cheias. Segundo referiu, importa perceber se os problemas estiveram relacionados com a válvula de retenção, com as bombas de extracção e elevação ou com eventuais equipamentos avariados. Questionou ainda se o coordenador da Protecção Civil reúne condições para gerir o serviço tendo em conta as dúvidas que ficaram no ar.
O presidente da Câmara de Coruche, Nuno Azevedo (PS), disse desconhecer problemas no funcionamento das estruturas e garantiu que não existem incompatibilidades entre os serviços da Protecção Civil e dos Bombeiros Municipais. “Os funcionários da câmara e os colegas de trabalho não têm que ser os melhores amigos do mundo, mas têm que desempenhar as suas funções com isenção, responsabilidade e competência sem pôr em causa o desempenho das suas funções”, afirmou.
Relativamente à questão dos motoristas sem habilitação para condução de determinados veículos, Nuno Azevedo explicou que a autarquia dispõe de pareceres da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) e de advogados que levantam dúvidas quanto à possibilidade de a câmara suportar esse tipo de formação. “Uma coisa é formação, outra coisa são formações habilitantes. Aqui não é bem uma formação. Não encontro base legal para esta situação”, referiu. O presidente acrescentou ainda que o gerador nunca deixou de ser utilizado quando necessário e confirmou que existe uma proposta apresentada pelos bombeiros para aquisição de uma embarcação.


