Sociedade | 25-03-2026 12:00

Ponte da Chamusca continua a estrangular trânsito e filas chegam a ter uma hora de espera

Ponte da Chamusca continua a estrangular trânsito e filas chegam a ter uma hora de espera
Ponte da Chamusca continua a ser uma dor de cabeça para milhares de condutores diariamente - foto O MIRANTE

A ponte da Chamusca voltou a ser o retrato de um problema sem fim à vista. Com filas de espera a rondar os 50 minutos, dezenas de condutores têm recorrido às redes sociais para mostrar o desespero de quem perde tempo, paciência e dinheiro numa travessia que há muito deixou de responder às necessidades da região.

A paciência dos condutores voltou a esgotar-se na última semana na ponte João Joaquim Isidro dos Reis, vulgo ponte da Chamusca, devido aos congestionamentos constantes que causam muitos transtornos a quem utiliza a travessia que liga ao concelho da Golegã. Na terça-feira, 10 de Março, os tempos de espera chegaram aos 50 minutos, num cenário que se repete vezes de mais e que tem gerado uma onda de indignação nas redes sociais, com muitas partilhas de fotografias, vídeos e desabafos sobre uma situação que consideram “inaceitável”. Para quem circula diariamente na ponte esta realidade, vivida há décadas, sobretudo desde a instalação do Eco Parque do Relvão na Carregueira, um problema sério de mobilidade, com impacto directo na vida pessoal, profissional e económica de toda uma região. Há trabalhadores que chegam atrasados, empresas com mercadorias retidas, transportes condicionados e famílias obrigadas a viver “reféns” de uma travessia transformada num funil, como referiu a O MIRANTE o engenheiro Carlos Mineiro Aires, presidente do Conselho Superior de Obras Públicas.
O MIRANTE tem vindo a alertar para esta realidade há muito tempo, dando conta de queixas de utilizadores que afirmam que a ponte “não serve para a quantidade de tráfego que nela circula” e de que os semáforos, longe de resolverem o problema, em dias de maior movimento ainda o agravavam. Nessa altura, houve quem afirmasse que a travessia é “uma dor de cabeça diária e um verdadeiro funil que entope”. A situação agravou-se este ano com novos constrangimentos. Em Fevereiro, O MIRANTE noticiou a cedência do talude na entrada da ponte, do lado da Golegã, sublinhando que os sinais de perigo eram visíveis há meses e que o problema acabou por criar ainda mais limitação ao trânsito. A circulação teve mesmo de ser proibida durante uns dias para avaliação dos técnicos da Infraestruturas de Portugal, responsável pela ponte, embora tenha reaberto a circulação por considerar que estavam reunidas as condições necessárias. O nosso jornal deu conta nessa reportagem que a câmara da Golegã já tinha avisado, nos primeiros meses de 2025, que aquele talude se encontrava em mau estado e era necessário fazer-se qualquer coisa. “Tantos anos a suportar filas de camiões parados junto à travessia que empurraram a infraestrutura para o limite”, referiu a O MIRANTE um utilizador diário do tabuleiro.
Ao mesmo tempo, o estado do piso da ponte continua a ser apontado como mais um sinal do desgaste de uma ligação essencial. Buracos, zonas degradadas e danos frequentes nas viaturas, dão razão a quem diz que a travessia não tem capacidade para suportar diariamente um volume de tráfego muito superior ao desejável, com forte incidência de pesados, muitos deles ligados ao Eco Parque do Relvão. Esse excesso de carga, somado à inexistência de alternativas viárias eficazes, acelera o desgaste da ponte e transforma cada passagem num “exercício de resistência”. Mais recentemente, o próprio debate político voltou a reconhecer que o problema deixou de ser conjuntural para passar a ser estrutural. Deputados à Assembleia da República defenderam obras urgentes, avaliação técnica actualizada e uma solução definitiva para a travessia, alertando que a dependência excessiva da ponte da Chamusca tem obrigado a desvios longos, com custos acrescidos para famílias, empresas e serviços básicos.

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