Arquivo da Chamusca continua por abrir e a aumentar factura
Arquivo Municipal da Chamusca está na recta final, mas continua a somar custos. A câmara aprovou mais quatro mil euros para a empreitada que se arrasta há anos e que custou mais de dois milhões de euros.
A Câmara da Chamusca aprovou mais uma verba, desta vez de cerca de quatro mil euros, para a empreitada do novo arquivo municipal, numa fase em que o executivo garante estar já a preparar o espaço para a abertura. Na última sessão camarária, o presidente da autarquia, Nuno Mira, explicou que a obra está dependente apenas da inspecção de um elevador para poder ser formalmente entregue, acrescentando que já está a ser colocado material no edifício e que serão instalados mais equipamentos antes da inauguração oficial.
O novo arquivo municipal da Chamusca transformou-se, nos últimos anos, num dos investimentos mais controversos do concelho. Em Agosto de 2025, O MIRANTE deu conta que a obra, iniciada cerca de dois anos antes, se aproximava dos dois milhões de euros, depois de derrapagens no custo e no prazo, sem que fosse ainda clara a verdadeira utilidade do espaço nem a data de inauguração. O nosso jornal assinalava também que o projecto avançou sem financiamento comunitário garantido, cenário que poderia representar um pesado encargo para os cofres do município.
A falta de esclarecimentos sobre o destino e a função concreta do equipamento ajudou a alimentar as críticas da oposição e da população. O empreendimento foi descrito como uma obra “faraónica”, envolta em sucessivos episódios de contestação, desde as dúvidas sobre o modelo do projecto à compra de um dos edifícios integrados na operação, aquisição que gerou surpresa e chegou a motivar recolha de informação por parte da Polícia Judiciária nos Paços do Concelho. O historial da empreitada transformou o arquivo num símbolo de opacidade administrativa e de gestão discutível da liderança do ex-presidente Paulo Queimado.


