Sociedade | 26-03-2026 12:05

Autarcas do Chega atacam vereador em Santarém

Autarcas do Chega atacam vereador em Santarém

Onze autarcas do Chega no concelho de Santarém acusam o vereador Pedro Correia de afastamento, falta de empenho e alinhamento com o executivo municipal, mas o eleito rejeita todas as críticas e diz estar a ser alvo de uma campanha interna para manchar a sua imagem.

O vereador do Chega na Câmara de Santarém, Pedro Correia, rejeitou as acusações feitas por 11 autarcas do partido no concelho, que num manifesto enviado à direcção nacional denunciam um alegado afastamento do eleito, falta de coordenação com os restantes representantes do partido e um suposto alinhamento com o executivo municipal da AD. No documento, a que a Lusa teve acesso, os subscritores falam num “grave problema interno” e pedem a intervenção da estrutura nacional do partido para travar danos na imagem e credibilidade do Chega em Santarém. Os signatários exercem funções em vários órgãos autárquicos do concelho, incluindo Assembleia Municipal, assembleias de freguesia e junta de freguesia.
Os autarcas criticam Pedro Correia por, alegadamente, ter tido uma participação reduzida durante a campanha autárquica de 2025, surgindo apenas “nos últimos 15 dias” e em “poucas acções de rua”, o que, na sua leitura, terá prejudicado o resultado eleitoral e impedido a eleição de um segundo vereador. Acusam-no ainda de se ter afastado dos restantes eleitos após as eleições e de contrariar decisões políticas assumidas em conjunto, apontando como exemplo a abstenção numa votação sobre delegação de competências no presidente da câmara, quando o grupo defendia voto contra.
Pedro Correia responde em tom duro. Em declarações à Lusa, classificou o manifesto como uma “violação dos mecanismos internos do partido” e uma tentativa de “denegrir” a sua imagem enquanto vereador, vice-presidente da distrital e deputado à Assembleia da República. O autarca diz ser “uma abominável mentira” que tenha estado ausente da campanha, garantindo que entre janeiro e outubro de 2025 esteve “praticamente todos os fins de semana” em Santarém, com exceção do período das eleições legislativas.
O vereador nega também qualquer rutura com os restantes eleitos, assegurando que continua a preparar o trabalho autárquico com quem se revê “numa política séria para o concelho”. Quanto à acusação de proximidade ao PSD, contrapõe que foi “o único vereador” a votar contra o orçamento municipal para 2024, ao contrário do PS, que se absteve. Pedro Correia sustenta ainda que, na votação contestada, seguiu “exclusivamente” as orientações nacionais do partido e deixa uma acusação adicional: diz que algumas das pessoas que assinaram o manifesto “foram coagidas” a fazê-lo.

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