Sociedade | 27-03-2026 15:00

Acusações de mentira e falta de seriedade marcam reunião camarária na Chamusca

Acusações de mentira e falta de seriedade marcam reunião camarária na Chamusca
Nuno Mira e Rui Martinho

Uma pergunta sobre a reparação de uma viatura municipal aqueceu a reunião de câmara da Chamusca, com Nuno Mira e Rui Martinho a trocarem acusações graves e ataques à seriedade um do outro. O que começou por uma suspeita de favorecimento a uma oficina acabou num aceso ajuste de contas entre adversários das últimas autárquicas.

A última reunião de câmara da Chamusca, realizada a 17 de Março, ficou marcada por um confronto político aceso entre o presidente do município, Nuno Mira, e o vereador Rui Martinho, num episódio que fez subir o tom da sessão e expôs episódios alegadamente ocorridos antes das últimas eleições autárquicas. O debate começou com uma questão aparentemente administrativa, mas rapidamente descambou para o ataque pessoal e para a troca de acusações de falta de seriedade e tentativas de aliciamento político.
Rui Martinho voltou a questionar o executivo sobre a opção do município em entregar uma viatura para reparação na empresa Campos e Nazário, numa insistência que já não era nova, uma vez que o tema tinha sido levantado pelo vereador nas últimas semanas. A pergunta trazia implícita a suspeita de favorecimento à oficina, cujo proprietário foi mandatário da candidatura de Nuno Mira, e o presidente da câmara deu a entender que percebeu de imediato o alcance da intervenção. Na resposta, Nuno Mira garantiu que as viaturas municipais têm sido reparadas em várias oficinas do concelho, rejeitando qualquer ideia de preferência. Mas não se ficou por aí. Num tom duro, o autarca atacou directamente Rui Martinho, afirmando perceber “muito bem” a insinuação que estava a ser feita, mas lembrando que ela vinha de alguém que, segundo referiu, foi acusado por um ex-vereador do executivo de o ter tentado “comprar” para o afastar da corrida à câmara (ver caixa). “Eu sei bem o que o senhor vereador está a querer insinuar, mas vindo de si, que foi acusado por um ex-vereador desta casa de o ter tentado comprar para o afastar da corrida à câmara, não me parece bem”, atirou.
A resposta de Rui Martinho também subiu de tom. O vereador na oposição devolveu a acusação, dizendo que Nuno Mira também o convidou para integrar as suas listas à câmara. A afirmação apanhou o presidente de surpresa e motivou nova reacção. Nuno Mira negou a versão apresentada pelo vereador e acusou-o frontalmente de faltar à verdade. “Foi você que me convidou para fazer parte da sua lista em Outubro de 2023. Você não tem seriedade e está a mentir. Não vale a pena discutir consigo”, disparou. O episódio transformou uma questão sobre gestão corrente do município num ajuste de contas político em plena sessão pública.

“Ofereceram-me cargos, dinheiro e influência para eu sair do caminho”

Numa entrevista a O MIRANTE em Dezembro de 2025, o ex-vereador Tiago Prestes partilhou um episódio ocorrido em Outubro de 2024, quando Rui Martinho, então presidente da União de Freguesias da Chamusca e Pinheiro Grande e hoje vereador, se terá deslocado a sua casa para anunciar a intenção de avançar às eleições autárquicas por um movimento independente, dizendo contar com o apoio do PSD. Segundo explicou ao nosso jornal, nessa conversa foram colocadas em cima da mesa várias propostas para garantir alinhamento político. Entre elas, a presidência de Tiago Prestes de uma comissão de honra, o cargo de director-geral da empresa intermunicipal RSTJ, a presidência da Associação do Eco Parque do Relvão e ainda uma verba de 20 mil euros para projectos turísticos ligados ao Casal Vale Formoso, de que é um dos proprietários. Tiago Prestes disse ter recusado entrar nesse “filme”.
Mais tarde, quando o PSD o contactou para voltar a candidatar-se à presidência da Câmara da Chamusca, Tiago Prestes diz ter mostrado surpresa, uma vez que Rui Martinho lhe garantira anteriormente ter o apoio do partido. Já perto do Natal de 2024, numa reunião na sede da junta de freguesia, onde também estava João Santos, actual vereador do movimento independente, as propostas foram reforçadas. Desta vez, a verba para a associação subia de 20 mil para 25 mil euros, afirmou ao nosso jornal Tiago Prestes.
A reacção voltou a ser de recusa. “Não se fazem negócios com o município da Chamusca”, afirmou, sublinhando na entrevista que o concelho precisa de pessoas com princípios e valores, e não de ambições políticas “capazes de passar por cima de qualquer coisa ou qualquer um”.

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