Sociedade | 27-03-2026 12:00

Barragens não reúnem consenso no combate às cheias e acendem debate sobre futuro do Tejo

Barragens não reúnem consenso no combate às cheias e acendem debate sobre futuro do Tejo
Barragens continuam a dividir opiniões quanto ao seu papel na gestão da água - foto arquivo O MIRANTE

Papel das barragens na prevenção de cheias e na gestão da água voltou a dividir opiniões, num debate promovido pelo movimento proTEJO, onde ambientalistas e defensores de novas infraestruturas trocaram argumentos sobre eficácia, impacto ecológico e modelo de desenvolvimento para o território.

As barragens continuam longe de reunir consenso como solução para prevenir cheias e garantir uma melhor gestão da água. Essa foi a principal conclusão de um webinar promovido pelo movimento proTEJO, que juntou especialistas com visões opostas sobre o futuro do rio Tejo, da agricultura e do ordenamento do território. A sessão contou com cerca de 70 participantes e mais de 150 inscritos, entre associações ambientalistas e movimentos de cidadania de vários pontos do país. O debate colocou frente a frente João Joanaz de Melo, professor da Universidade NOVA de Lisboa e membro do GEOTA, e Jorge Froes, engenheiro agrónomo da Associação +Tejo, com moderação de Paulo Silva, do movimento #MovRioDouro.
O porta-voz do proTEJO, Paulo Constantino, descreveu a sessão como “viva e participada”, sublinhando que ficaram evidentes “duas perspectivas antagónicas” sobre o papel das barragens. De um lado, quem defende novas infraestruturas para regular caudais, reforçar o regadio e apoiar a actividade agrícola; do outro, quem alerta para os impactos ambientais e para a eficácia limitada destas obras em cenários de precipitação extrema. Entre os exemplos apontados esteve a barragem de Girabolhos, cuja capacidade de retenção, segundo os críticos, seria rapidamente ultrapassada em situações de chuva intensa. Em cima da mesa estiveram também questões ligadas à segurança das infraestruturas, à construção em leitos de cheia e ao contributo das barragens para a produção hidroeléctrica, considerado residual face aos custos envolvidos.
Outro dos temas mais polémicos foi o chamado Projecto Tejo, que prevê a instalação de vários açudes para tornar o rio navegável, reforçar o regadio e regular os caudais. Jorge Froes defendeu esse caminho como parte da solução para a gestão da água, mas a proposta foi contestada pelo proTEJO e por João Joanaz de Melo, que apontaram riscos para a conectividade fluvial, a biodiversidade e o transporte de sedimentos, com possíveis reflexos no agravamento da erosão costeira. Paulo Constantino resumiu o confronto de ideias de forma clara: de um lado está a aposta na rentabilização da agricultura intensiva assente no regadio; do outro, a defesa dos valores ecológicos como condição essencial para garantir sustentabilidade no futuro. O porta-voz do movimento frisou ainda que “as barragens não geram água”, defendendo alternativas centradas na recuperação dos ecossistemas, como o reforço da floresta autóctone e da vegetação ripícola, de forma a melhorar a infiltração, retenção e disponibilidade de água no solo.

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