“CUF Santarém é hospital de confiança das famílias do Ribatejo”
Cláudia Simões assumiu recentemente a administração do Hospital CUF Santarém, depois de passar pela CUF Academic Center, onde liderou as áreas de formação, investigação e desenvolvimento clínico, com foco na valorização do conhecimento e na melhoria contínua dos cuidados de saúde.
No seu percurso na CUF passou por várias funções de liderança em áreas como a organização e gestão de processos, qualidade, dados e informação, segurança e transformação digital, coordenando iniciativas transversais e equipas multidisciplinares. Nesta entrevista, Cláudia Simões, formada em Ciências Sociais e Políticas e em Gestão, que iniciou o seu percurso na CUF como directora de operações, em Junho de 2003 no antigo Hospital CUF Infante Santo, fala do novo desafio, das perspectivas de evolução da saúde e da presença da marca na região, destacando que dois terços dos recursos humanos são mulheres.
Como encara a gestão de um hospital fora dos grandes centros, como Santarém? No Hospital CUF Santarém, trabalhamos diariamente com foco nas pessoas da região e nas suas necessidades, acompanhando-as em todas as fases do percurso de cuidados, da prevenção ao acompanhamento contínuo. A proximidade à comunidade traduz-se no acesso a cuidados de saúde com qualidade e diferenciação clínica, independentemente da localização geográfica, alinhados com as melhores referências nacionais e internacionais. Para corresponder à confiança de quem nos escolhe, continuamos a investir em tecnologia de ponta; como o robot cirúrgico para próteses do joelho e da anca; e no reforço da Imagiologia, com a chegada de um novo mamógrafo, essencial ao diagnóstico precoce do cancro da mama. Mantemos, igualmente, o foco no alargamento da oferta e na valorização das nossas equipas.
Qual é o seu estilo de gestão? Trabalhar na área da saúde traz consigo um forte sentido de missão, porque implica estar ao serviço do outro, quer das pessoas que nos confiam a sua saúde, quer dos mais de 600 profissionais que, todos os dias, se dedicam a garantir a melhor resposta de cuidados. É com esse compromisso que procuramos dar vida ao propósito da CUF: “Pela Vida, com Humanidade e Excelência”, através de uma actuação assente no rigor, na proximidade, na disponibilidade e num foco permanente na qualidade dos cuidados de saúde.
Como conjuga a sua vida pessoal com a exigência profissional? Procuro fazer essa gestão com naturalidade, encontrando equilíbrio entre aquilo que me realiza a nível pessoal e profissional. A minha família é o meu principal alicerce, a minha “fortaleza”, e no contexto profissional conto com equipas muito competentes e colaborativas, o que faz toda a diferença no dia-a-dia. O facto de a CUF valorizar este equilíbrio, enquanto organização certificada como Empresa Familiarmente Responsável, que promove uma cultura de responsabilidade familiar, também contribui para que seja possível conciliar estas duas dimensões de forma mais integrada.
Sendo uma pessoa da casa com anos de experiência, é mais fácil gerir? A experiência acumulada ao longo dos meus 25 anos na CUF, o conhecimento alargado e profundo do sector e da cultura da organização, facilitam o exercício da gestão. Ainda assim, num contexto em constante transformação, particularmente na área da saúde, a experiência deve fazer-se acompanhar de uma visão de futuro, capacidade de adaptação e uma aposta contínua na inovação e na aprendizagem.
O que é que uma visão feminina pode representar de diferente? Na CUF, as mulheres representam mais de 70% dos colaboradores e ocupam mais de metade dos cargos de liderança. No entanto, o que distingue o papel de um gestor não é a sua visão individual, mas sim a visão partilhada. Estamos todos alinhados pelos mesmos valores e propósito. É neste compromisso colectivo que nos colocamos ao serviço das pessoas e das comunidades.
Como é que perspectiva a evolução dos cuidados de saúde? Acredito que a evolução dos cuidados de saúde continuará a passar pela personalização, com uma medicina cada vez mais preditiva, preventiva e participativa. A tecnologia, nomeadamente a inteligência artificial, o big data e a telemedicina, terá um papel determinante, permitindo uma gestão da saúde mais eficiente e centrada na pessoa. Os cuidados domiciliários deverão ganhar maior relevância, sendo já uma aposta do Hospital CUF Santarém. Em paralelo, a integração entre diferentes níveis de cuidados: primários, hospitalares, domiciliários e digitais, será essencial para garantir uma resposta mais fluida e coordenada, assente num funcionamento em rede. A evolução continuará a ser marcada pela diferenciação clínica e pela procura dos melhores resultados em saúde.
Dirigia a CUF Academic Center, vai apostar mais na investigação e formação? Garantir os melhores cuidados de saúde implica um compromisso contínuo com o conhecimento, a formação e a investigação. É dessa forma que conseguimos evoluir, acompanhar a inovação e alcançar melhores resultados clínicos. Para isso, assumimos um investimento estruturado na actualização de competências dos profissionais de saúde, na formação das futuras gerações e na dinamização da prática da investigação.
Como é a formação em Santarém? No Hospital CUF Santarém, esta aposta é visível na realização de estágios para alunos de enfermagem e na formação de estudantes do ensino pós-graduado na área de Cirurgia do Joelho. Recentemente integrámos um estudo internacional promovido pelo Institute for Healthcare Improvement, em parceria com a European Association for the Study of Obesity, com o objectivo de recolher dados clínicos e monitorizar resultados terapêuticos, contribuindo para a melhoria dos cuidados prestados às pessoas com obesidade na Europa. Participamos activamente na procura de respostas para um dos problemas de saúde mais impactantes do século. A CUF é o maior centro privado de ensaios clínicos em Portugal, permitindo à população da região o acesso a ensaios clínicos e terapêuticas inovadoras.
Como é a convivência de serviços de saúde públicos e privados? A actividade da CUF contribui para a resposta às necessidades de saúde das pessoas, acrescentando capacidade ao sistema de saúde e reforçando o acesso a cuidados de qualidade. A convivência entre os diferentes sectores beneficia de uma lógica de cooperação e articulação, permitindo aumentar a capacidade de resposta, a eficiência e a qualidade global do sistema de saúde, sempre com foco nas pessoas.
Como é que encara a concorrência na mesma cidade? Mais do que uma lógica de concorrência, o mais relevante é garantir que as populações têm acesso a cuidados de saúde com qualidade, em tempo útil e de forma adequada às suas necessidades. No Hospital CUF Santarém, estamos focados em assegurar essa resposta, através de uma abordagem centrada na pessoa, suportada pela experiência das equipas, pelo investimento contínuo em inovação e pela integração numa rede nacional.
Há espaço para crescimento da CUF Santarém? As recentes obras de ampliação, fruto de um investimento de mais de 10 milhões de euros, reflectem-se na maior capacidade de responder às necessidades da população, absorvendo o aumento da procura com qualidade de serviço. Foram criadas novas áreas, permitindo a realização de um maior número de consultas, tratamentos e exames. Reforçámos a segurança, conforto dos cuidados e modernizámos o parque tecnológico. Temos novos meios complementares de diagnóstico em áreas como a Oftalmologia, Otorrinolaringologia, Ginecologia-Obstetrícia e Cardiologia. Na área da Imagiologia, aumentámos a capacidade de diagnóstico com a instalação de novos equipamentos e integração de tecnologia de Inteligência Artificial. Estamos a reforçar os cuidados de saúde na região Médio Tejo com a preparação da abertura da Clínica CUF Torres Novas. A nova unidade de saúde irá resultar de um investimento de 11 milhões de euros e funcionará em estreita articulação com o Hospital CUF Santarém.
Em termos de recursos humanos no Hospital CUF Santarém quais são as dificuldades, as necessidades? O desafio da escassez de recursos humanos, em particular de algumas especialidades médicas e em enfermagem, é transversal a todo o sector da saúde nacional e internacional. A conjuntura actual torna a captação e retenção de talento uma prioridade estratégica que assumimos através de uma proposta de valor robusta para os colaboradores. Apostamos em medidas que promovem o bem-estar e competência. É desta forma que temos contribuído para a retenção de talento na região do Ribatejo.
Como é que quer que o hospital seja conhecido e reconhecido? Quero que o Hospital CUF Santarém continue a ser reconhecido como um hospital de confiança para as famílias do Ribatejo. Um reconhecimento que se constrói todos os dias, através da melhoria contínua, do investimento na modernização das infraestruturas, na tecnologia e na formação das nossas equipas. É essa evolução que nos permite responder de forma cada vez mais adequada às necessidades das pessoas da região e estar presentes nos momentos que mais importam.


