Quinta em Santarém sob suspeita após imagens chocantes de maus-tratos a suínos
Divulgação de imagens de suínos mortos, feridos e doentes na Quinta da Granja, em Almoster, concelho de Santarém, lançou um novo foco de pressão sobre a exploração. Perante a gravidade das denúncias, a Filporc anunciou uma auditoria extraordinária para apurar responsabilidades, enquanto a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária exigiu medidas correctivas imediatas.
A Quinta da Granja, exploração de suínos situada na freguesia de Almoster, no concelho de Santarém, vai ser alvo de uma auditoria depois de terem sido tornadas públicas imagens que mostram animais mortos, feridos e alegadamente mantidos em condições degradantes. As imagens, divulgadas numa reportagem televisiva, mostram ainda corredores cobertos de fezes, lama e sangue, num cenário que está a provocar indignação e a levantar sérias dúvidas sobre o cumprimento das regras de bem-estar animal.
A Filporc – Associação Interprofissional da Fileira da Carne de Porco – anunciou ter dado instruções imediatas ao organismo de controlo para avançar com uma nova auditoria e desencadear procedimentos que permitam apurar os factos “em toda a sua extensão”. A associação, que repudiou a situação, sublinhou ainda que a exploração aderiu ao seu programa de bem-estar animal em 2023 e que, na última auditoria realizada, em Julho de 2025, não foram detectadas ocorrências semelhantes às agora denunciadas. Também a Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária determinou a apresentação imediata de um plano de acção com medidas correctivas. A exploração está identificada como Quinta da Granja, em Almoster, e surge associada ao universo empresarial do Valgrupo, grupo agro-industrial com actividade na produção e transformação animal.
Entretanto, a Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores procurou demarcar o sector das imagens agora conhecidas, defendendo que estas não representam a suinicultura nacional, que classificou como fortemente regulada e fiscalizada. Ainda assim, a federação admitiu que o momento exige esclarecimento total e apuramento de responsabilidades, frisando que os prejuízos provocados pelo mau tempo não podem servir de desculpa para eventuais situações de incúria no maneio animal. Até ao momento, tanto o Valgrupo como o Ministério da Agricultura ainda não tinham prestado esclarecimentos públicos.


