Sociedade | 30-03-2026 15:00

Autarcas unem-se para levar preocupação do fecho de urgências em VFX ao Parlamento

Autarcas unem-se para levar preocupação do fecho de urgências em VFX ao Parlamento
Autarcas estiveram reunidos em Vila Franca de Xira a concertar formas de luta contra encerramento das urgências de obstetrícia - FOTO CMVFX

Administração da Unidade Local de Saúde do Estuário do Tejo, entidade que gere o hospital, admite que a unidade está a passar por um “período difícil de degradação”. Autarcas não se conformam com decisão do Ministério da Saúde de concentrar urgências obstétricas em Loures e querem ser ouvidos pelos grupos parlamentares.

Na sequência da reunião que juntou, a 19 de Março, vários autarcas das áreas de abrangência do Hospital Vila Franca de Xira e do Hospital do Barreiro, afectados com a medida do Governo de encerramento das urgências obstétricas, foi anunciada a decisão de solicitar audiências a todos os grupos parlamentares, pedidos que devem seguir durante esta semana.
No final do encontro, que decorreu no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Vila Franca de Xira, o presidente do município anfitrião, Fernando Paulo Ferreira, explicou aos jornalistas que “foi feito o diagnóstico quer do território da margem sul quer da margem norte, e combinámos pedir uma reunião, em conjunto, com os grupos parlamentares na Assembleia da República, uma forma de sensibilizar os partidos para as consequências negativas que esta decisão tem para as populações”.
Os autarcas lembram que a medida afecta mais de um milhão de pessoas nos 14 municípios: cinco da área do Hospital Vila Franca de Xira e os nove concelhos que integram a Comunidade Intermunicipal (CIM) da Península de Setúbal. Fernando Paulo Ferreira deu ainda conta da reunião com a Unidade Local de Saúde (ULS) Estuário do Tejo, “que está a fazer um grande esforço no sentido de reforçar o acompanhamento às gravidas”, procurando fazer marcações e agendamentos de partos, para garantir um nível de serviço que permita a reabertura da urgência. “Os profissionais estão com esse objectivo e nós, autarcas, estamos com eles”, sublinhou.
As urgências obstétricas de VFX fecharam a 16 de Março, sendo as grávidas encaminhadas para o Hospital Beatriz Ângelo em Loures. “Procuraremos sensibilizar para esta questão os grupos parlamentares e continuaremos a tomar outras medidas em conjunto”, acrescentou Fernando Paulo Ferreira.

Hospital admite degradação do serviço
Na última quinta-feira, 19 de Março, o conselho de administração da ULS Estuário do Tejo, entidade que gere o hospital de VFX, admitiu não ser surpresa o cenário agora existente, devido à falta de recursos humanos e ao que Nuno Cardoso, presidente da ULS, descreveu como um “período difícil de degradação”. Agora, admite o gestor, é preciso “reconstruir e cuidar” dos utentes que continuam a depender dos serviços da unidade. Sabendo que dar a volta ao serviço seria um desafio enorme, Nuno Cardoso assumiu que ter apenas um médico à disposição não seria viável na reorganização promovida pelo Governo. “Continuam a existir partos, as grávidas continuam a ser acompanhadas. Aqui a questão é que as urgências mais graves são encaminhadas para o Hospital Beatriz Ângelo em Loures”, afirmou.
Vila Franca de Xira precisava de ter um mínimo de dois especialistas presentes nas urgências e raras eram as vezes em que isso acontecia, admitiu o gestor, notando que apesar do serviço estar “longe de ser bom” a urgência “não fechou: só está a acontecer num local geograficamente diferente”, admitindo manter a esperança de vir a ter novamente um serviço a funcionar em plenitude. E a herança da anterior gestão não se fica apenas pela ginecologia: segundo a administração, quando os novos gestores chegaram ao hospital encontraram 16 camas de medicina interna fechadas por falta de profissionais, entre médicos e enfermeiros. Mas continua a existir um défice crónico de médicos, enfermeiros e auxiliares de saúde. “No último semestre saíram 66 médicos de família, num universo de cerca 120 e a maioria deles por aposentação”, frisou a administração. 54% dos utentes tem médico de família.

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