Sociedade | 31-03-2026 12:00

As palavras que ficaram das Personalidades do Ano

As palavras que ficaram das Personalidades do Ano

O MIRANTE recupera nesta edição algumas frases fortes das entrevistas das nossas Personalidades do Ano de 2025 que receberam a distinção no dia 26 de Fevereiro de 2026, no Convento de São Francisco, em Santarém. A intenção da redacção de O MIRANTE é voltar a valorizar a intervenção de cada um dos premiados. As entrevistas publicadas na edição da semana da entrega do prémio são também representativas da importância de cada uma das Personalidades do Ano.

Pedro Duarte

Personalidade do Ano Nacional - Pedro Duarte

Parece-me claro que a experiência nos mostra que falta o nível intermédio de decisão, no modelo de desenvolvimento e de organização do país. Há um nível local que responde de forma rápida, com grande proximidade, mas depois quando é necessária alguma coordenação entre os municípios temos de ir imediatamente logo para um nível central, muito distante da realidade. O país precisa de fazer um grande debate sobre qual é o melhor modelo de organização. Não devemos partir já com ideias fechadas e tenho evitado dizer que defendo a regionalização, porque tenho obrigação também de estar de mente aberta neste processo. Sou muito bairrista e contribuir para a minha cidade (Porto) ser melhor e para as pessoas viverem melhor é um factor altamente motivacional. Não alinho de uma lógica de o Porto ganhar contra Lisboa, mas se o Porto for mais forte Lisboa também ganhará com isso.

Manuel Valamatos

Personalidade do Ano Prestígio - MIAA - Museu Ibérico de Arqueologia e Arte de Abrantes

O Museu Ibérico de Arqueologia e Arte de Abrantes acrescenta proximidade. Traz uma ligação directa ao território, à comunidade e ao Médio Tejo. E há uma mensagem importante: o museu não é só um equipamento para ser visto, é um espaço que tem de ser vivido e reconhecido por quem cá está. O MIAA, tal como outros museus que temos vindo a construir e reabilitar, faz parte de uma estratégia de requalificação urbana. Recebemos o prémio Teotónio Pereira, que é relevante, e isso liga-se às questões da estética dos espaços e ao investimento na regeneração urbana. Abrantes investe com critério e com ambição. A cultura não é para dar lucro, é para acrescentar valor às pessoas. A arte educa para a cidadania, para a estética. Temos investido no dinamismo do museu e na articulação entre os equipamentos culturais. Isso é determinante e, até agora, recebemos cerca de 30.000 visitantes. Ouvimos muitas vezes que este museu podia estar em Lisboa. Podia estar numa cidade qualquer da Europa. Podia estar no mundo. E podia! Há uma ideia de que os grandes museus têm de estar nos grandes centros. Nós contrariamos isso.

Joaquim Correia Bernardo

Personalidade do Ano Vida - Joaquim Correia Bernardo

Já me questionei várias vezes se hoje seria militar. Se calhar não era! Nasci em 1939, em plena 2.ª guerra mundial. A guerra marcou a minha geração. Os filmes que víamos eram sobre heróis da guerra. Há uma panóplia de acontecimentos que formata cada geração. Há uma imagem que marca e condiciona a juventude. O 25 de Abril marcou muito. Foi um período de reflexão muito grande na minha vida e na vida do pessoal que esteve comigo. A maior parte de nós nunca foi político nem tinha tempo para ser. A vida militar e familiar absorvia-nos. A cidade não devia ter perdido a EPC. Em termos de importância para a terra, considero que foi um erro muito grande, porque eram mil homens que estavam aqui e algum pessoal civil. Era um meio de trazer gente para a cidade. Santarém não pode deitar fora o 25 de Abril, porque o 25 de Abril não é só o acto militar, é sobretudo aquilo que se conseguiu fazer, a liberdade, a democracia, a emancipação da mulher, a justa luta dos trabalhadores. Posso rever-me em determinado tipo de pessoas para me representar, mas não em quem diz coisas dessas. E se o que Salazar fez foi mau, com três Salazares seria péssimo.

José Pacheco Pereira

Personalidade do Ano - José Pacheco Pereira

A casa da Marmeleira foi a primeira que encontrei com boas condições. Não é uma casa nobre nem nada que se pareça, é uma casa comum, de lavoura, com alterações. Depois comprei mais coisas à volta, comprei a antiga escola em hasta pública – custou-me caro –, mas gasto imenso dinheiro com a Ephemera com imenso gosto. A sede do arquivo é na Marmeleira. Mas as terras pequenas por vezes são complicadas. Há sempre dois grupos, um contra o outro. No entanto, tenho muito boas relações com as pessoas de lá. Nesta missão da Ephemera não há monotonia, estamos sempre a aprender. Nos arquivos dos cozinheiros sabemos coisas sobre a vida dos portugueses comuns que ninguém sabe. Outro exemplo: como era um rapaz solteiro viver numa pensão nos anos 30? Como é que sabemos isso? Através da correspondência amorosa entre um empregado de escritório e uma costureira que estava destinada a ir para o lixo. A ideia de que saber era relevante era muito forte mesmo em quem não sabia. Hoje há uma forma de ignorância arrogante, que é muito má para a democracia. A facilidade da manipulação é hoje muito maior.

Susana Feitor

Personalidade do Ano Excelência - Susana Feitor

Tenho essa ideia de querer sempre fazer melhor hoje do que ontem. Quando ia treinar, mesmo num treino de recuperação, ia pensar em fazer melhor do que na semana passada. Isso constrói--se, mas também vai da personalidade. Sinto uma calma a que não estava muito habituada, porque eu gosto do ritmo e as pessoas ao meu lado às vezes aborrecem--se comigo porque quero sempre andar muito rápido. Na Fundação do Desporto, tentamos angariar apoios para projectos desportivos com impacto na comunidade. Quando concretizamos uma nova parceria ou vemos a consequência de um workshop, são coisas pequeninas, mas que têm impacto e entusiasmam o coração das pessoas. Não tenho filhos, que é uma das coisas que me custa imenso. Com a informação de hoje, provavelmente teria congelado os meus óvulos. Tenho noção de que o meu envelhecimento é um pouco consequente da carreira desportiva. Rio Maior e eu crescemos juntos. O complexo desportivo nasceu de um campo de futebol, comecei a treinar em terra batida e hoje temos condições perfeitas para competir, treinar e viver.

Ana Varejão

Personalidade do Ano Desporto - Associação Ginástica Santarém

Temos vários campeões nacionais nos diferentes escalões. Neste momento temos cinco clubes no distrito com ginástica artística e somos a associação distrital do país com mais clubes nessa disciplina. O centro de treino de Torres Novas, no ginásio municipal, tem sido uma âncora do desenvolvimento da disciplina. A maior parte dos treinadores saiu daí. A boa relação com os clubes é um factor crítico de sucesso. Isso também nos fideliza à causa. Se não houvesse esse bom ambiente, se calhar já tínhamos abandonado a ginástica. Queremos continuar a crescer no número de ginastas, no número de clubes e ter alguns dos nossos melhores ginastas em grandes competições internacionais, como campeonatos da Europa e campeonatos do Mundo. Sempre estive ligada à ginástica. Quando os meus filhos nasceram, o primeiro sítio a que foram foi ao pavilhão. Cheguei a competir quando estava grávida da minha filha mais velha. Ficámos em terceiro lugar num campeonato nacional, em trampolim sincronizado. Em vez de sermos duas, éramos três (risos).

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