Norte pressiona Infraestruturas de Portugal enquanto Lezíria e Médio Tejo marcam passo
A audição da Infraestruturas de Portugal (IP) na Comissão Parlamentar de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação, realizada na terça‑feira, 31 de Março, voltou a evidenciar o peso político do Norte nas prioridades da empresa pública.
A audição da Infraestruturas de Portugal (IP) na Comissão Parlamentar de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação, realizada na terça‑feira, 31 de Março, voltou a evidenciar o peso político do Norte nas prioridades da empresa pública. A linha de alta velocidade, a nova ponte sobre o rio Tâmega, no Marco de Canaveses, e a Linha do Vale do Sousa dominaram a sessão. Enquanto isso falta fazer mais pressão sobre investimentos há muito reivindicados na Lezíria do Tejo e no Médio Tejo.
Enquanto autarcas e deputados do Norte reforçam a pressão para a construção de uma nova travessia sobre o Tâmega — tema que continuará em audições sucessivas com quatro câmaras municipais já esta quarta‑feira —, projectos estruturantes para o interior do Ribatejo continuam a marcar passo. A nova ponte sobre o Tejo na zona de Abrantes, a travessia entre Chamusca e Golegã e o avanço do IC3 permanecem sem calendário, sem financiamento definido e sem presença nas prioridades imediatas da IP.
Autarcas da região têm alertado que a ausência de investimento em ligações rodoviárias e travessias sobre o Tejo está a comprometer a competitividade do território, afectando empresas, mobilidade laboral e a capacidade de atrair investimento. A situação contrasta com o ritmo político do Norte, onde a reivindicação da nova ponte sobre o Tâmega mobilizou partidos e municípios, levando a Comissão a agendar quatro audições consecutivas com as câmaras de Marco de Canaveses, Baião, Resende e Cinfães. No Ribatejo, apesar das promessas repetidas ao longo de vários governos, a travessia da Chamusca continua sem sair do papel e o IC3 permanece num limbo técnico e político.
A audição da IP deixou assim mais uma vez a sensação de que a Lezíria e o Médio Tejo continuam fora do radar das grandes decisões de investimento, enquanto outras regiões conseguem impor o seu peso político e acelerar obras que consideram prioritárias.


