Sociedade | 01-04-2026 08:43

Venda da tenda do Mercado de Tomar não gera consenso

Venda da tenda do Mercado de Tomar não gera consenso

Decisão de desmontar e vender a estrutura do mercado municipal abriu confronto político em reunião de câmara. PS fala em desperdício e alerta para custos futuros com alugueres; presidente Tiago Carrão responde com o argumento da segurança.

A decisão da Câmara de Tomar de desmontar e vender a tenda do mercado municipal motivou críticas do PS na reunião do executivo de 23 de Março. O vereador Hugo Cristóvão contestou a opção, considerando que o município está a abdicar de uma estrutura onde foram feitos investimentos significativos e que permitia dar ao espaço uma utilização polivalente. Do outro lado, o presidente da câmara, Tiago Carrão (AD PSD/CDS), justificou a medida com razões de segurança, afirmando que tanto a lona como a própria estrutura se encontram comprometidas.
Hugo Cristóvão classificou a decisão como um erro e recordou que o anterior executivo socialista investiu não só na tenda, mas também nas infra-estruturas de apoio, nomeadamente pavimento, canalização, electricidade e casas de banho. Na sua leitura, esse conjunto de intervenções transformou o espaço num local apto para acolher diferentes eventos e actividades. “Parece um bocado o filho a desfazer a obra do pai”, atirou o vereador socialista, sustentando que a retirada da tenda poderá obrigar o município a recorrer ao aluguer de coberturas para iniciativas futuras, como a Feira de Santa Iria. Para Hugo Cristóvão, os custos associados a esses alugueres poderiam justificar antes a renovação da estrutura existente.
Tiago Carrão reagiu com surpresa às críticas do PS e rejeitou a ideia de desperdício. Segundo o presidente do município, a decisão assenta numa avaliação técnica dos serviços camarários que aponta para problemas na lona e na própria estrutura metálica. “Desbaratar seria a tenda continuar nas condições em que estava. Isso, sim, era desbaratar a segurança das pessoas”, afirmou. O autarca reforçou que a estrutura “não oferece condições de segurança independentemente do evento”, sublinhando que o parecer técnico que sustenta a decisão é anterior às recentes tempestades.
Hugo Cristóvão pôs em causa essa avaliação, defendendo que a tenda precisava de reparações, mas não de ser eliminada. Admitiu que a cobertura teria de ser substituída, uma vez que a lona, com cerca de 20 anos, apresentava vários remendos, mas considerou que a restante estrutura poderia ser aproveitada. Nesse sentido, apresentou um requerimento para ter acesso à informação técnica que fundamentou a decisão do executivo. Tiago Carrão garantiu que essa documentação será facultada, insistindo que a opção da câmara não resulta de uma apreciação política ou subjectiva, mas de um parecer técnico dos serviços municipais. Embora reconheça que a inexistência da tenda possa vir a representar encargos acrescidos no futuro, frisou que a prioridade tem de ser a segurança das pessoas.

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