Sociedade | 02-04-2026 12:00

Unidades de saúde com gestão privada em Azambuja deixam equipa do SNS num impasse

Unidades de saúde com gestão privada em Azambuja deixam equipa do SNS num impasse
Armando Martins do Movimento Cívico Pela Saúde em Azambuja - foto O MIRANTE

Unidades de saúde geridas por privados previstas para o concelho de Azambuja poderão travar avanço da Unidade de Saúde Familiar pública que tem equipa constituída e que é aguardada há muito. Município e Movimento Cívico dizem estar a acompanhar evolução com preocupação.

A abertura de um concurso público internacional, no valor de oito milhões de euros, para a criação de duas unidades de saúde familiar (USF) modelo C, isto é, geridos pelo sector social cooperativo ou privado, estão a causar apreensão em Azambuja, concelho onde se prepara há alguns meses a entrada em funcionamento de uma USF modelo B, com equipa de médicos de família e enfermagem do SNS constituída, que visa dar resposta a sete mil dos 18 mil utentes inscritos.
“Num concelho onde estivemos tantos anos sem médicos e agora que temos a possibilidade de ter uma equipa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) para funcionar, há possibilidade de se ir embora se vierem para aqui duas unidades C porque cobrem a totalidade de utentes do concelho. Os médicos que estão aqui serão transferidos para outros locais”, afirmou a O MIRANTE o porta-voz do Movimento Cívico Pela Saúde em Azambuja, Armando Martins.
O representante vinca que o Movimento Cívico não está contra a criação de unidades geridas pelo sector privado mas sim por, neste caso, colocarem em causa o avanço de uma equipa de profissionais do SNS. “O que faria sentido ter era uma unidade B para a qual já há equipa e uma C para complementar”, diz.
Caso a Unidade Local de Saúde (ULS) Estuário do Tejo avance com a implementação de duas USF-C, tendo em conta que foram lançados dois concursos públicos internacionais para o concelho de Azambuja, Armando Martins alerta que não sairão apenas os médicos do SNS, mas os enfermeiros e funcionários “serão transferidos para outros centros de saúde”. Além disso, alerta, “se houver um problema contratual e ao fim de um ano ou dois o acordo terminar”, Azambuja, que actualmente tem um médico de família, “ficaria pior do que o que está”.

Município apanhado de surpresa
A vereadora com o pelouro da Saúde, Ana Coelho, diz a O MIRANTE que esta é uma “situação que preocupa muito o município” porque ao “serem constituídas duas unidades modelo C vão cobrir a totalidade dos utentes sem médico de família” e, desse modo, “estará em causa a entrada em funcionamento da USF-B”, no qual a autarquia se empenhou tendo inclusive aprovado um regulamento de incentivos. “Fomos apanhados de surpresa e pedimos à senhora Ministra da Saúde que estivesse atenta a esta questão”, afirma, sublinhando que embora as USF-C resolvam o problema da falta de médicos “a qualquer momento podem sair” o que deixaria o concelho sem resposta aos cuidados de saúde primários.
Ana Coelho revelou ainda que o presidente do município reuniu recentemente com a equipa que se formou para permitir a criação de uma USF-B, que se mostrou “apreensiva” e que aguarda o desfecho dos concursos lançados para saber se entrará ou não em funções. Algo que estava previsto acontecer no mês de Abril. Contactada por O MIRANTE sobre o fututro da USF-B, a ULS Estuário do Tejo refere apenas que uma vez que o procedimento relativo às USF C está a decorrer não deve pronunciar-se sobre o tema, afirmando apenas que “tudo fará para que seja encontrada a solução mais adequada para prestar os melhores cuidados de saúde possíveis aos utentes do concelho de Azambuja”, o que inclui “médicos com o perfil adequado”.
O modelo C assenta na contratualização com privados para gerir unidades durante cinco anos, com pagamento baseado em objectivos e desempenho. O Governo considera que as USF C não representarão mais custos para o Estado do que as modelo B e permitirão captar profissionais que estão fora do SNS.
No concelho de Azambuja, onde 91% dos utentes não tem médico de família, cada uma das USF C - uma na sede de concelho, no centro de saúde e outra destinada às restantes unidades do concelho - terá capacidade para prestar cuidados de saúde a cerca de nove mil utentes. O prazo para a entrega de propostas termina a 7 de abril.

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