Sociedade | 04-04-2026 18:00

Aviário de 800 mil galinhas no concelho de Mação continua na ordem do dia

Aviário de 800 mil galinhas no concelho de Mação continua na ordem do dia
José Fernando Martins, presidente da Câmara de Mação - foto O MIRANTE

O presidente da Câmara de Mação considera que a opinião da população é importante, mas realça que o impacto económico, no emprego e os investimentos previstos da Uniovo no concelho também são factores importantes na hora de decidir sobre a instalação do centro de produção de ovos. Para já José Fernando Martins diz que não vê uma grande contestação ao projecto, que neste momento está parado.

A Câmara de Mação só tomará posição sobre o projecto para a instalação de um centro de produção de ovos no concelho, com 800 mil galinhas poedeiras, depois de avaliar dois factores que o presidente considera determinantes: o parecer técnico das entidades e o pulso da população. Mas José Fernando Martins considera que também devem ser valorizados os investimentos noutros projectos na vila, que garantem mais emprego e desenvolvimento da economia local. Aliás, estes foram dois factores que determinaram o parecer favorável, embora condicionado, por parte da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo para a ampliação do aviário que a mesma empresa, a Uniovo, tem no Casal Mourão, Ferreira do Zêzere, concelho onde a empresa tem a sede.
O presidente do município sublinha a O MIRANTE que a empresa tem prevista a instalação de um centro de certificação de ovos na zona industrial e que recentemente adquiriu uma fábrica de carnes em Mação, onde pretende manter 17 postos de trabalho e criar mais oito. “Quem está na câmara tem de decidir olhando para o todo e não apenas para um projecto isolado”, afirma, defendendo que o concelho deve ponderar tanto as mais‑valias económicas como os eventuais impactos ambientais e sociais. Neste momento só há um pedido de informação prévia, não deu ainda entrada qualquer projecto e só quando isso acontecer é que o município terá de se pronunciar.
José Fernando Martins afirma que a autarquia não avançará sem perceber claramente o impacto social da proposta. “Se houver uma grande revolta, a câmara terá de avaliar de uma maneira. Se forem apenas algumas vozes, a posição poderá ser outra”, sublinha. O autarca considera que uma leitura atenta do debate público, incluindo o que se passa nas redes sociais, que entende ser “um medidor útil” para perceber o grau de contestação. O autarca realça que grande parte da população não emite opinião desfavorável, até acha que é importante para a região, para haver emprego. Por outro lado, há um movimento que lançou uma petição pública, que tem aparecido nas reuniões de câmara, que tem questionado, mas que lhe parece ser um movimento sem grande expressão.
O processo encontra‑se parado desde a última reunião de câmara, devido aos estragos provocados pela tempestade nas instalações da empresa em Ferreira do Zêzere. “O foco deles tem andado na recuperação dos pavilhões. Aqui, apenas entrou um pedido de informação prévia. Não há ainda qualquer projecto”, explica o presidente. Estava prevista uma visita às instalações da empresa, com presença de jornalistas, para se perceber como é que a empresa funciona, que aguarda agora uma melhor oportunidade. “Quem está na câmara tem de decidir olhando para o todo e não apenas para um projecto isolado”, afirma, defendendo que o concelho deve ponderar tanto as mais‑valias económicas como os eventuais impactos ambientais e sociais. “As pessoas têm sensibilidades e é importante ir ao encontro delas. Agora, obviamente que sabemos que não podemos agradar a gregos e troianos”, conclui o autarca.

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