Entrada da Verdelha do Ruivo continua a ser uma lixeira
Despejos ilegais durante a madrugada transformaram a entrada da Verdelha do Ruivo, em Vialonga, num vazadouro de lixo a céu aberto. Moradores exigem fiscalização e soluções urgentes para um problema que se arrasta sem fim à vista.
Os moradores da Verdelha do Ruivo, em Vialonga, não se conformam com a impunidade de quem, durante a madrugada, se desloca à localidade para efectuar despejos ilegais de restos de obras, como tijolos, pladur, madeiras, entre outros sobrantes, e exigem fiscalização por parte das autoridades competentes. A entrada da Verdelha do Ruivo, na Rua Humberto Delgado, transformou-se num vazadouro de lixo a céu aberto, ao qual se juntam pelo menos três automóveis abandonados que degradam a paisagem há mais de um ano.
O terreno é particular e, segundo um dos moradores mais antigos, chegou a estar prevista a sua vedação, o que nunca veio a concretizar-se. A paragem da Carris Metropolitana apresenta um dos vidros partidos e, mesmo ao lado, houve quem tivesse o descaramento de deixar sacos com tijolos na via pública.
Conforme O MIRANTE tem noticiado diversas vezes, a situação é recorrente. Testemunhas relataram ao nosso jornal que, no dia seguinte à recolha do lixo, são efectuados novos despejos. Os residentes manifestam ainda descontentamento com a relocalização dos contentores de resíduos urbanos para o interior da localidade. Segundo referem, os contentores estão sempre cheios, o que provoca maus cheiros, sobretudo durante o Verão.
Uma das soluções poderia passar pela instalação de câmaras de videovigilância, defendem os moradores, embora considerem pouco provável a sua implementação. Em Janeiro, a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira explicou a O MIRANTE que a instalação de sistemas de videovigilância em espaço público depende do cumprimento de requisitos específicos e da autorização das forças policiais, a que acrescem as normas previstas no Regulamento Geral de Protecção de Dados (RGPD). “Actualmente, esta localização não se encontra definida como prioritária para este tipo de intervenção”, respondeu a autarquia.
À Margem
Falta em civismo o que sobra em impunidade
A transformação da entrada da Verdelha do Ruivo num vazadouro de lixo a céu aberto não é apenas um problema de limpeza urbana. É, acima de tudo, um sinal preocupante de ausência de autoridade, sentimento de impunidade dos infractores e muita falta de civismo. Quando, após cada recolha, o lixo regressa no dia seguinte, é evidente que não basta limpar. É preciso prevenir, fiscalizar e, sobretudo, responsabilizar.
A justificação de entraves legais à instalação de videovigilância, sendo válida, não pode servir de escudo para a inércia. Há outros meios ao alcance das autarquias e das autoridades (maior presença no terreno até soluções dissuasoras) que continuam por explorar ou reforçar. Claro que o problema não reside apenas na falta de meios, mas na falta de consciência colectiva.
Quando uma localidade convive durante anos com lixo, viaturas abandonadas e equipamentos degradados, o risco é normalizar o inaceitável. E esse é, talvez, o maior perigo: aceitar que viver no meio do descuido é inevitável. Não é. E não pode ser.
Marta Carvalhal


