Sociedade | 05-04-2026 10:00

Região com casas mais caras e arrendamento fora do alcance das famílias

Região com casas mais caras e arrendamento fora do alcance das famílias
Pressão imobiliária aumenta em vários municípios, com impacto directo na vida das famílias - foto arquivo O MIRANTE

Crise da habitação está a ganhar terreno no Ribatejo, onde a procura por casa aumentou sem que a oferta acompanhasse esse ritmo, empurrando os preços da compra e do arrendamento para valores cada vez mais difíceis de suportar por muitas famílias.

Em concelhos como Santarém, Cartaxo, Tomar, Entroncamento, Benavente, Almeirim ou Rio Maior a crise da habitação sente-se cada vez mais. A pressão sobre a compra e o arrendamento está a aumentar, a oferta continua curta e os municípios veem-se confrontados com uma equação difícil: atrair população, fixar jovens e responder a quem trabalha na região, mas não encontra casa a preços comportáveis.
Os dados nacionais divulgados pela Engel & Völkers, que apontam para um défice de 14 mil habitações por ano em Portugal, encontram eco na realidade ribatejana, onde o desequilíbrio entre procura e oferta se faz sentir com especial intensidade nos centros urbanos e nas zonas com melhor acesso a Lisboa. Nos últimos anos, O MIRANTE tem dado conta de uma tendência: casas mais caras, arrendamentos escassos e uma procura crescente em concelhos intermédios, empurrada quer pelo preço proibitivo da Área Metropolitana de Lisboa, quer pela melhoria das acessibilidades ferroviárias e rodoviárias.
Santarém, pela sua centralidade e qualidade de vida, tem vindo a ganhar atractividade para famílias que procuram sair da capital sem abdicar de ligações rápidas. O mesmo acontece no Entroncamento, onde a ferrovia continua a ser um factor decisivo, e em concelhos como Benavente e Samora Correia, muito procurados por quem trabalha em Lisboa ou no eixo industrial e logístico. Mas essa nova procura não foi acompanhada pela construção de habitação em ritmo suficiente, nem por uma resposta eficaz no mercado de arrendamento. O resultado está à vista: imóveis que há poucos anos tinham valores acessíveis passaram a atingir preços incomportáveis para grande parte da classe média. Jovens casais, trabalhadores do comércio, da saúde, da educação ou das autarquias enfrentam hoje maiores dificuldades para encontrar casa no concelho onde trabalham. Em muitos casos, a alternativa é procurar habitação em localidades periféricas, aumentando os custos de deslocação e agravando a desertificação dos centros históricos.
Tomar é um exemplo das contradições deste mercado. A cidade continua a ser atractiva, mas o número de imóveis disponíveis é curto e a reabilitação urbana, apesar de visível nalgumas zonas, não tem sido suficiente para responder às necessidades permanentes da população. O mesmo se passa noutras sedes de concelho do distrito, onde há património devoluto, edifícios a precisar de obras e projectos que avançam a um ritmo inferior ao exigido pela procura. Também no Cartaxo, em Almeirim, em Azambuja ou em Salvaterra de Magos, a habitação tornou-se um dos temas mais sensíveis. A valorização do imobiliário pode ser lida como sinal de dinamismo económico, mas quem já lá vive encontra mais obstáculos para comprar ou arrendar. E quando os salários não acompanham a subida dos preços, a pressão instala-se rapidamente.
No arrendamento, o cenário é ainda mais apertado. A pouca oferta existente é absorvida em pouco tempo e, muitas vezes, por valores acima da capacidade financeira de muitas famílias. Esse fenómeno, que antes parecia confinado a Lisboa ou Cascais, também está hoje implantado no Ribatejo. Encontrar um T2 ou T3 com renda compatível com os rendimentos médios tornou-se uma missão difícil em vários concelhos.
As câmaras municipais têm vindo a reconhecer o problema, seja através de estratégias locais de habitação, candidaturas a financiamento ou anúncios de construção e reabilitação de fogos. Mas a resposta pública continua lenta face à dimensão do desafio. Entre projectos, licenciamentos, empreitadas e falta de mão-de-obra na construção, o tempo joga contra quem precisa de casa agora.

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