Sociedade | 06-04-2026 18:00

Crise habitacional é um desafio social para Torres Novas

casa habitacao impostos
foto ilustrativa

São perto de uma centena e meia as famílias que vivem com graves dificuldades habitacionais e mais de trezentas as que vivem em carência económica extrema. Vice-presidente da Câmara de Torres Novas diz que se trata de um problema sério e destaca a aposta do município na reabilitação de habitações e nos apoios em rede.

Os últimos dados divulgados pelo serviço de atendimento de acção social da Câmara de Torres Novas revelam que naquele concelho há 376 casos de carência económica extrema e 136 famílias com graves dificuldades habitacionais. Uma situação “preocupante” para a qual alertou na última sessão da assembleia municipal o eleito do Bloco de Esquerda, Diogo Gomes.
O eleito quis saber que “respostas concretas estão a ser dadas às famílias que continuam a viver em condições indignas no concelho” e considerou que os apoios municipais que se destinam ao pagamento de rendas e cauções (45%) são “apenas um alívio temporário”. A intervenção, no período antes da ordem do dia, acabou por ficar sem resposta.
A vice-presidente do município, responsável pelo pelouro da Habitação Social, Elvira Sequeira (PS), refere em declarações a O MIRANTE que a Câmara de Torres Novas tem apostado na reabilitação de habitações degradadas ou devolutas numa tentativa de responder à constante procura de habitação a custos acessíveis e às famílias que enfrentam condições habitacionais indignas, seja por estarem numa situação de carência financeira, precariedade, insalubridade ou devido à falta de habitações com rendas que acompanhem os rendimentos do agregado.
Segundo a autarca socialista, além das 42 habitações que estão em processo de construção ou reabilitação em parceria com o Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) para serem disponibilizadas a custos controlados, o município dispõe de vinte casas que vão ser recuperadas com o objectivo de serem “colocadas no mercado o mais depressa possível para atender às necessidades das famílias que precisam de habitação”. Os dados mais actuais de que dispõem, revela, apontam para “mais de 40 famílias identificadas para realojar”.
“É um problema sério que temos”, afirma, sublinhando que a crise está a afectar também muitos jovens que não conseguem acesso a uma habitação com uma renda que consigam suportar. Ainda recentemente, fez saber, o município entregou as chaves de uma habitação, no Bairro da Calçada António Nunes, conhecido como o bairro dos Pobres, cuja requalificação ficou concluída no ano passado, a um jovem casal com um bebé. “Neste momento as casas que temos não estão capazes para realojar famílias com necessidades. Estamos, por isso, a procurar fazer essa requalificação”, sublinha.

“Nenhuma família fica por apoiar”
De acordo com o mesmo relatório dos serviços, dos 1.708 beneficiários acompanhados em Torres Novas, 1.425 são cidadãos portugueses, ou seja, mais de 83% do total. Também na habitação, afirma Elvira Sequeira, a “maioria” dos que procuram esse apoio são de nacionalidade portuguesa. Os imigrantes procuram, por sua vez, mais apoio no que toca à alimentação e vestuário, porque o que têm, explica, é muitas vezes “inadequado” para as temperaturas que se fazem sentir, sobretudo no Inverno.
O apoio à renda é uma das medidas implementadas no município que, no decorrer deste mandato autárquico, recebeu três novos pedidos. O trabalho é feito em rede e em parceria com várias instituições do concelho, havendo outras, além desta medida, como o apoio alimentar. “Nenhuma família fica por apoiar”, garante a vice-presidente.

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