Trabalhadores da Nobre em Rio Maior cumprem hoje 28.ª greve em três anos
Dados do sindicato e da administração da empresa são muito díspares quanto à adesão à paralisação por parte dos trabalhadores da Nobre.
Os trabalhadores da Nobre, em Rio Maior, cumprem esta segunda-feira, 6 de Abril, a 28.ª greve contra a recusa da administração em negociar o caderno reivindicativo, com o sindicato a contabilizar uma adesão de 75% e a empresa a alegar uma participação inferior a 10%. “A adesão de hoje é superior à da última greve (realizada em 12 de Março)”, disse a agência Lusa o dirigente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos (SINTAB) Diogo Lopes, estimando terem aderido à paralisação “cerca de 75% dos trabalhadores”.
A greve, a 28.ª convocada pelo SINTAB desde 2023, tem por base a recusa da Nobre Alimentação, em Rio Maior, em negociar o caderno reivindicativo. Os trabalhadores, que exigiam um aumento salarial de 150 euros, desceram este valor para um aumento imediato de 50 euros, a valorização do subsídio de refeição (para 8,50 euros por dia) e do trabalho noturno, o aumento de cinco euros nas diuturnidades, 25 dias de férias e o fim do recurso à contratação precária. Reivindicações espelhadas numa moção entregue hoje à administração da empresa que refuta os números do sindicato.
"Com base em dados preliminares" a Nobre informou que “a taxa de absentismo se manteve abaixo dos 10% do total dos seus cerca de 780 colaboradores, incluindo ausências por motivos não relacionados com a greve”, valor que considerou confirmar “a tendência de diminuição da participação que se tem vindo a verificar desde novembro de 2025”.
Na resposta enviada por escrito, a Nobre sustentou que “a participação foi reduzida e não reflete o sentimento da maioria dos trabalhadores”, esclarecendo que “todas as linhas de produção continuam a operar normalmente, sem qualquer impacto na atividade” da empresa, que “mantém um diálogo aberto e contínuo com os seus colaboradores, refletindo um ambiente estável e construtivo”.
Posição contrária manifestaram os trabalhadores na moção em que exigem também “o fim do assédio moral e da coação sobre os trabalhadores”, situação que Diogo Lopes afirmou já ter levado sindicato a “pedir a intervenção da Autoridade para as Condições dos Trabalho (ACT)”.
À Lusa, o dirigente sindical informou que a empresa, “que tinha deixado de assumir as horas sindicais aos dirigentes do SINTAB e à dirigente da União de Sindicatos de Santarém”, durante um ano e dois meses, “voltou este mês a assumir o pagamento dessas horas”, depois de uma queixa à ACT que “deu razão aos sindicatos”. Ainda assim, acrescentou Diogo Lopes, “continua em falta um ano e dois meses de pagamento”, pelo que “essa estão vai seguir para Tribunal de Trabalho para ser resolvida”.
A Nobre esclareceu à Lusa, relativamente à questão suscitada junto da ACT, que esta decorreu de uma divergência na interpretação da legislação relativa ao crédito de horas. “A empresa procurou, de forma proativa, obter esclarecimentos junto da ACT e apresentou a sua posição, sustentada em jurisprudência relevante. Embora, desta vez, a interpretação da ACT tenha sido distinta, a empresa atuará em conformidade com as orientações da autoridade, como sempre”, refere na resposta enviada à agência Lusa.
Na moção, os trabalhadores exigem ainda “o fim do assédio moral e da coação”, situação que, segundo Diogo Lopes, já tinha levado o sindicato a pedir a intervenção da ACT. Os trabalhadores, concentrados durante a manhã, em frente à empresa, agendaram uma nova greve para o dia 04 de maio, caso não se verifique qualquer avanço nas negociações.


