Sociedade | 07-04-2026 07:00

As palavras que ficaram das Personalidades do Ano

O MIRANTE recupera nesta edição algumas frases fortes das entrevistas das nossas Personalidades do Ano de 2025 que receberam a distinção no dia 26 de Fevereiro de 2026, no Convento de São Francisco, em Santarém. A intenção da redacção de O MIRANTE é voltar a valorizar a intervenção de cada um dos premiados. As entrevistas publicadas na edição da semana da entrega do prémio são também representativas da importância de cada uma das Personalidades do Ano.

Personalidade do Ano Cidadania CRIB – Centro de Recuperação
Infantil de Benavente

O CRIB passou a ter uma verdadeira visão de comunidade e uma relação de proximidade com as autarquias e com o tecido empresarial, por exemplo, que visitar a nossa escola e adoptar espaços com o seu nome. A principal missão é garantir a segurança dos nossos utentes, mas sobretudo o seu bem-estar e felicidade. Sentimos que, quando vêm à instituição, saem daqui pessoas diferentes. Actualmente situamo-nos entre os 70 e os 90 utentes, sinalizados pelas escolas ou por médicos. A resposta sócio-educativa conta, neste momento, com sete alunos, embora exista necessidade de ampliar esta oferta. O Centro de Actividades Funcionais tem 66 utentes, com capacidade para chegar aos 71. Os apoios da Segurança Social são limitados. Com o aumento dos salários, dos bens alimentares e dos custos com electricidade, gás e água, tivemos de gerir com grande rigor para evitar o colapso.

Personalidade do Ano Cultura Associação Cultural e Recreativa da Linhaceira

As pessoas não estão tão disponíveis como no passado e depois a questão da dívida do pavilhão afasta alguns potenciais interessados, por ser uma responsabilidade grande. Temos orgulho de que toda a gente que temos connosco, incluindo no desfile de carnaval que é um dos nossos orgulhos anuais, é voluntária e faz isto por amor à camisola, por amor à Linhaceira e à comunidade. Estamos eleitos até ao final deste ano. Ainda não sabemos se nos vamos recandidatar. Não podemos deixar que estas casas deixem de existir. São a união da comunidade. Em muitas terras o único ponto de encontro da comunidade são as associações. Esta casa é feita de muitas pessoas que nem sempre aparecem nas fotos, mas são fundamentais para a associação ser o que é. Se nas diferentes secções não houvesse voluntários, a associação não estaria no patamar em que está.

Personalidade do Ano Cultura Rancho Folclórico da Casa do Povo de Alpiarça

Antigamente as campinas dançavam com chinelas. Hoje muitas dançam com sapatos porque as meninas e mulheres já não estão habituadas a andar com calçado assim. Temos o Vira do Vinho, porque aqui há muitas vinhas e o vinho do Ribatejo é conhecido. Temos o Bailarico de Alpiarça, que é sapateado e palmas, e o Verde Gaio, em quadra, que também fala em Alpiarça. Muitas vezes vamos cansados, mas subimos a palco com orgulho e numa pilha de nervos porque vamos representar Alpiarça. Sentimos o peso da responsabilidade, sobretudo quando a actuação é cá porque é aqui que estão os nossos. Neste momento temos cerca de 40 elementos. O mais novo tem três anos e o mais velho 74. Temos mais mulheres que homens. Numa actuação podemos ter entre 10 a 11 pares. O rancho é para muitos a única possibilidade de conhecer novos sítios.

Personalidade do Ano Desporto União Desportiva de Santarém

Nos últimos três anos crescemos muito, estruturalmente, desportivamente e socialmente. Há três anos ninguém levava a União muito a sério. Hoje já levam. Somos a capital de distrito, estamos numa localização estratégica entre Lisboa e Porto. Santarém é uma espécie de rotunda do país: passam aqui as principais vias rodoviárias e ferroviárias. Trabalhamos com um orçamento entre 500 e 600 mil euros por ano. É o mais baixo ou um dos mais baixos da Liga 3. Não temos praticamente direitos televisivos. Desde 2017 não temos uma única dívida. Não devemos um euro à Segurança Social, às Finanças, a jogadores, treinadores ou staff. É um motivo de orgulho enorme. Crescemos quase 100 atletas nos últimos anos e já ultrapassamos os 350. Queremos formar atletas, mas também formar seres humanos com carácter. Acredito que as lideranças se fazem junto das pessoas, não em gabinetes.

Personalidade do Ano Política João Heitor

Todos os dias temos de tomar decisões com recursos escassos, procurando sempre o bem-estar da população. Hoje temos o concelho equilibrado do ponto de vista da tesouraria, o que é muito importante, mas continuamos impedidos de aceder a financiamento. Não servimos apenas quem votou em nós, servimos todos. Mas isso reforça a nossa responsabilidade. Não deixamos de ouvir, de envolver, de partilhar. Há um tema que para mim é importante: a felicidade. Costumo dizer que estamos condenados ao sucesso. Temos de conduzir este caminho sem precipitações, sem ansiedade, mas com visão clara. Não queremos ser um dormitório. Temos de manter uma perspectiva humilde e ambiciosa ao mesmo tempo. Em nenhum momento podemos achar que somos donos da razão, temos de nos pôr em causa todos os dias.

Personalidade do Ano Política Manuela Ralha

Sou uma optimista e uma irrequieta. Houve muita coisa que se fez no âmbito da melhoria das acessibilidades no concelho desde que cheguei à vereação. Há toda uma comunidade que tem dificuldades de mobilidade e que acaba por ficar presa na sua própria casa, como eu fiquei durante 10 anos à espera de uma seguradora, porque não tinha transportes. Não sou uma política de carreira, por isso sempre achei que a política é aquilo que quisermos que ela seja. As mulheres são tão competentes como as pessoas do outro sexo. Infelizmente se não tivermos o sistema de quotas em vigor muitas mulheres não conseguem atingir determinadas posições. Esta ideia de que há um conjunto de iluminados que são os detentores da verdade é assustadora. A democracia e a liberdade precisam de ser cultivadas todos os dias.

Personalidade do Ano Associativismo Casa do Povo de Arcena

Com cerca de 1.400 sócios, desde 2013 que a associação é dirigida por mulheres, assumindo os cargos principais. Estou cá há 25 anos, fui secretária da direcção depois fui presidente da assembleia-geral até vir para a presidência em 2013. Encontrei uma instituição ligada à população, mas muito virada para dentro. Entre as iniciativas mais emblemáticas temos o cantar das Janeiras, a noite de fados, os bailes de Carnaval, o enterro do chouriço, o festival do caracol, o encontro do tocador tradicional, os festivais folclóricos e o Baile da Pinha. A maior preocupação, comum ao associativismo, é a dificuldade de renovação dos corpos sociais. A faixa etária dos dirigentes é elevada e poucos querem assumir responsabilidades. Não temos dívidas nem empréstimos bancários. Damos os passos aos poucos e de forma consciente.

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