Sociedade | 07-04-2026 18:00

Especialista de Tomar avisa que IA pode empurrar o Homem para a irrelevância

Especialista de Tomar avisa que IA pode empurrar o Homem para a irrelevância

Formador tomarense, especialista em cibersegurança e informática, defende que a inteligência artificial traz benefícios imediatos, mas pode abrir caminho ao desemprego em massa, ao consumo descontrolado de recursos e até à substituição progressiva do ser humano em várias funções essenciais.

Luís Garcia, 52 anos, natural da Linhaceira, no concelho de Tomar, não tem dúvidas de que a inteligência artificial está a transformar o mundo a uma velocidade inquietante. Formador no IEFP desde 1994, nas áreas de cibersegurança, inteligência artificial, redes e formação de formadores, o especialista acredita que a evolução desta tecnologia poderá trazer mais desvantagens do que vantagens para a humanidade. E deixa um aviso: o ser humano pode estar a criar a ferramenta que o irá substituir.
Doutorado em informática e autor de várias obras na área, Luís Garcia começou cedo a interessar-se pela tecnologia. Tinha apenas 11 anos quando recebeu um ZX Spectrum, um dos microcomputadores mais marcantes da década de 1980, momento que despertou o gosto pela programação. Apesar de ter seguido Línguas e Humanidades no ensino secundário, foi no 12.º ano, ao inscrever-se num curso de introdução à informática, que consolidou o caminho profissional que viria a seguir. A ligação à formação começou em 1994, quando ingressou num curso de formação de formadores no Centro de Formação Profissional de Alverca, onde o pai também era formador. Desde então passou por centros de formação em Alverca, Leiria, Santarém, Venda Nova e Tomar, cidade onde exerce funções desde 1996.
Recentemente, foi convidado pelo Rotary Club Tomar Cidade para ser orador numa palestra dedicada ao impacto da inteligência artificial no quotidiano. Na sua análise, esta não é uma tecnologia nova, mas uma ferramenta que há muito está integrada em motores de busca, plataformas digitais e sistemas usados por empresas e entidades públicas e privadas. O que mudou, defende, foi o acesso generalizado da população à chamada inteligência artificial generativa, como o ChatGPT. Luís Garcia reconhece utilidade a estas ferramentas, sobretudo na resolução rápida de dúvidas, automatização de tarefas e optimização de processos. Mas alerta para riscos sérios. Entre eles estão o aumento do desemprego, a crescente dependência tecnológica e o consumo brutal de água e energia que poderá ser exigido por sistemas cada vez mais avançados. Na sua visão, uma eventual superinteligência artificial poderá, a médio prazo, substituir uma parte significativa da mão-de-obra humana, deixando a sociedade sem respostas para um abalo social e económico de grande escala. Esse cenário, avisa, pode gerar contestação, instabilidade e uma profunda reformulação do modelo de vida actual.
Ainda assim, admite que a inteligência artificial também poderá ter impactos positivos no futuro, nomeadamente na descoberta de curas para doenças hoje incuráveis, na mitigação de problemas ambientais e na melhoria da qualidade e esperança de vida. Mesmo nesses cenários, contudo, acredita que o papel humano será cada vez mais secundário. Para Luís Garcia, o mundo caminha para uma mudança de dimensão comparável, ou até superior, à Revolução Industrial. E a adaptação não será opcional. Será, diz, uma imposição do futuro.

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