É preciso quebrar o silêncio em torno da saúde mental
A saúde mental esteve no centro do debate em Santarém, onde o município assinalou o Dia Mundial da Saúde com uma conferência que juntou especialistas e renovou o apelo à prevenção, à intervenção precoce e ao envolvimento de toda a comunidade.
A saúde mental deixou de poder ser tratada como assunto secundário e Santarém quis debater a questão de forma clara no Dia Mundial da Saúde. Numa conferência promovida pelo município, na quarta-feira, 8 de Abril, na Casa do Brasil, vários especialistas defenderam que prevenir o sofrimento psicológico, sobretudo entre crianças e jovens, exige uma resposta colectiva e uma intervenção cada vez mais precoce. A conferência “A Saúde Mental como Responsabilidade Coletiva” reuniu profissionais ligados à saúde mental infantil e juvenil, num encontro que serviu para sublinhar a importância da prevenção, da literacia emocional e do acesso atempado a apoio psicológico. A sessão de abertura esteve a cargo da vereadora com o pelouro da Saúde, Teresa Matias Ferreira, que deixou um alerta para o silêncio e a desvalorização que durante anos marcaram este tema.
“Falar de saúde mental é falar de pessoas, das suas fragilidades e da sua capacidade de resiliência e superação”, afirmou a autarca, acrescentando que a sociedade falhou durante demasiado tempo ao ignorar ou minimizar a doença mental. “Hoje, não podemos continuar a virar o rosto”, vincou. Na intervenção, Teresa Matias Ferreira reforçou ainda que a saúde mental não pode ser vista apenas como um problema individual. “Não podemos aceitar que os nossos jovens sofram em silêncio, nem que pedir ajuda seja visto como um sinal de fraqueza”, afirmou, defendendo um concelho mais atento, inclusivo e humano, com redes de suporte acessíveis e uma aposta clara na prevenção.
Ao longo da conferência foram partilhadas diferentes perspectivas sobre o papel da comunidade na promoção da saúde mental, com destaque para a necessidade de articulação entre profissionais e instituições. O painel de oradores contou com Beatriz Pimentel, assistente social no Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência e na Equipa Comunitária de Saúde Mental da Infância e Adolescência, Teresa Gil Martins, pediatra do Hospital CUF Santarém, Ângelo Marinho, enfermeiro e secretário do conselho diretivo da Secção Regional do Sul da Ordem dos Enfermeiros Portugueses, e Rute Almeida, vogal da Delegação Regional do Centro da Ordem dos Psicólogos Portugueses. A moderação esteve a cargo de Hélia Dias, directora da Escola Superior de Saúde de Santarém.


