Sociedade | 09-04-2026 18:00

Santarém tem rede social forte mas perde população e envelhece a ritmo acelerado

idosos a caminhar no parque
foto ilustrativa

Menos população, mais envelhecimento, dificuldades no acesso à habitação e fracas acessibilidades fora dos centros urbanos marcam o retrato social de Santarém traçado pelo relatório do Radar Social. O diagnóstico aponta para um concelho com capacidade institucional e rede de parceiros, mas confrontado com desafios estruturais que exigem respostas concretas e prioridades bem definidas.

Santarém tem vindo a perder população, tem mais idosos e novos sinais de pressão social. O retrato traçado no relatório do Radar Social, instrumento de planeamento que vai servir de base ao Plano de Desenvolvimento Social e aos planos de acção anuais do município, deixa poucas dúvidas sobre os desafios que o concelho enfrenta: envelhecimento acentuado, quebra demográfica (atenuada pelos fluxos migratórios dos últimos anos), dificuldades no acesso à habitação, fracas acessibilidades fora dos centros urbanos e persistência de baixos níveis de escolarização em parte da população.
O documento foi construído com uma abordagem mista, cruzando dados estatísticos com contributos qualitativos recolhidos em workshops e reuniões com parceiros locais, o que lhe confere uma dimensão prática para apoio à decisão política e à intervenção no terreno. Ao longo de 13 eixos temáticos, o relatório percorre áreas como infância, envelhecimento, emprego, educação, habitação, migrações, sem-abrigo, saúde mental, violência, voluntariado e cultura e desporto, traçando um retrato alargado da realidade social do concelho.
Entre 2011 e 2021, Santarém perdeu população, mantendo-se a predominância do sexo feminino. A União de Freguesias da Cidade de Santarém concentra mais de metade dos residentes do concelho, enquanto a Gançaria surge como a freguesia menos representativa em termos populacionais. Ao mesmo tempo, o envelhecimento agravou-se de forma expressiva: o índice de envelhecimento passou de 145,0% em 2001 para 204,8% em 2023, acompanhado pela subida do índice de longevidade e do índice de dependência total. Na prática, estes números traduzem uma pressão crescente sobre respostas dirigidas à população idosa, desde cuidados continuados e apoio domiciliário até respostas residenciais e melhores condições de acessibilidade. Em sentido inverso, a base da pirâmide etária encolhe: a proporção de crianças até aos 14 anos baixou de 14,1% para 12,8%, sinal de menor renovação demográfica e de possíveis impactos futuros no sistema educativo, no mercado de trabalho e na sustentabilidade social do território.
No plano económico, o cenário é de sinais contraditórios. A taxa de actividade desceu de 46,13% em 2011 para 44,69% em 2021. Embora a taxa de desemprego tenha melhorado face ao valor anteriormente referido no relatório, a quebra da população activa revela um menor dinamismo demográfico e económico, com reflexos na vitalidade do concelho. Na educação, o documento identifica uma fragilidade estrutural que continua por resolver. O analfabetismo e a baixa escolarização mantêm peso significativo, sobretudo entre as mulheres. Os dados apontam para 1.184 mulheres analfabetas com 10 ou mais anos, face a 550 homens, revelando desigualdades persistentes e problemas que atravessam gerações.
Outro dos temas em destaque é a habitação, incluída como eixo prioritário num contexto de crise de acesso ao alojamento. O simples facto de este domínio surgir autonomizado no diagnóstico mostra que o município reconhece a pressão crescente sobre as famílias e a necessidade de respostas específicas. A mobilidade surge igualmente como problema transversal, com o relatório a assinalar a insuficiência e inadequação dos transportes públicos fora dos centros urbanos, uma limitação que agrava a exclusão e dificulta o acesso a emprego, serviços e respostas sociais.

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