Movimento de utentes pede avanço urgente do IC3 e nova ponte na Chamusca
Os promotores alertaram que as recentes cheias do Tejo vieram “reforçar uma realidade já conhecida”, relacionada com as dificuldades de acessibilidade entre as duas margens do rio, disse à Lusa José Rui Raposo, dirigente do Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP).
Movimento de Utentes dos Serviços Públicos e a União dos Sindicatos do Distrito de Santarém exigiram hoje a construção de uma nova ponte sobre o rio Tejo na Chamusca e a concretização do IC3, alegando impactos económicos na região.
Em conferência de imprensa junto à entrada sul da Ponte da Chamusca, os promotores alertaram que as recentes cheias do Tejo vieram “reforçar uma realidade já conhecida”, relacionada com as dificuldades de acessibilidade entre as duas margens do rio, disse à Lusa José Rui Raposo, dirigente do Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP).
Segundo o responsável, a interdição recorrente da ponte da Chamusca durante períodos de cheia e as limitações existentes nas alternativas rodoviárias, nomeadamente a impossibilidade de circulação de pesados na ponte de Constância, obrigam a “desvios de dezenas de quilómetros”, penalizando trabalhadores e agentes económicos.
José Rui Raposo sublinhou que chegam diariamente queixas de utentes da atual ponte, sobretudo trabalhadores, devido aos tempos de espera e ao aumento forçado dos tempos de deslocação entre casa e o local de emprego.
“Há cada vez mais pessoas a atravessar o Tejo entre as duas margens e são obrigadas a permanecer minutos e minutos nas entradas da ponte. Isto não é admissível”, considerou.
O dirigente criticou ainda os sucessivos adiamentos do projeto, lembrando que chegou a estar inscrita verba no Orçamento do Estado para 2024 para o arranque da obra, mas que esse financiamento foi retirado nos orçamentos seguintes.
“Apesar das promessas do Governo, do ministro das Infraestruturas e da [empresa] Infraestruturas de Portugal, a realidade é que tudo continua na mesma”, afirmou, salientando os prejuízos para a economia local e regional.
De acordo com José Rui Raposo, a região é fortemente influenciada por atividades logísticas, produção florestal, indústria da pasta de papel e transporte de mercadorias, incluindo mercadorias perigosas, que atualmente circulam pela Ponte da Chamusca ou atravessam o interior das localidades.
A situação é agravada, acrescentou, pelo facto de a A13 ficar interrompida em Almeirim, obrigando os automobilistas a percorrer cerca de 30 quilómetros pela Estrada Nacional 118, uma via que atravessa várias localidades e “não tem condições de segurança para o volume de tráfego pesado que apresenta”.
No final da conferência de imprensa, o MUSP e a USDS anunciaram a realização de um “buzinão” na Ponte da Chamusca no dia 08 de maio, ação que marcará o início de um conjunto de iniciativas de protesto.
“Vamos exigir a aprovação imediata do projeto do troço de ligação entre Almeirim e Vila Nova da Barquinha e a construção obrigatória de uma nova ponte sobre o Tejo”, reforçou.
Questionado sobre o ponto de situação do processo, José Rui Raposo disse que a Infraestruturas de Portugal não fornece informação clara sobre a existência de projetos, verbas consignadas ou prazos para o lançamento de concursos.
O dirigente recordou ainda que estudos realizados há cerca de nove anos já apontavam para a saturação da Ponte da Chamusca, construída em 1909, defendendo que a infraestrutura deve passar a servir apenas trânsito local e agrícola, deixando de suportar tráfego de longa distância.


