Sociedade | 10-04-2026 07:00

Passaram quatro anos e moradores de A-dos-Melros continuam sem resposta para casas danificadas

Passaram quatro anos e moradores de A-dos-Melros continuam sem resposta para casas danificadas
Fendas de grandes dimensões afectaram diversas casas na aldeia de A-dos-Melros, Alverca - foto arquivo O MIRANTE

O tempo vai passando e os moradores vizinhos da pedreira da Cimpor nunca viram um cêntimo de ajuda para poderem reparar as habitações que, dizem, ficaram danificadas devido a rebentamentos numa pedreira. Estudo que afastava risco das habitações é, para a associação que representa os moradores, pouco credível.

Já passaram quatro anos desde que vários moradores de A-dos-Melros, em Alverca, se queixaram das explosões na vizinha pedreira do Bom Jesus, em Alhandra, explorada pela Cimpor, que dizem ter-lhes causado danos nas habitações. A comunidade queixa-se de, até hoje, nunca ter visto um cêntimo de apoios para reparar os problemas e há quem tema que o caso caia no esquecimento.
Outros confessam ter perdido a esperança que a Câmara de Vila Franca de Xira ou os organismos públicos lhes possam valer na defesa do seu património que, recorde-se, ficou afectado em 2022 num espaço de poucos meses. Entre os danos estão fendas de grandes dimensões nas paredes exteriores e interiores, loiça das casas-de-banho a estalar, muros a rachar e a ameaçar ruir. Tudo isto impactos que a centena de moradores da aldeia diz ter começado a sentir quando a exploração da pedreira se terá aproximado da localidade.
A O MIRANTE, Julieta Carvalho, presidente da Associação para Salvarmos as Aldeias da Pedreira (ASAP), que agrega os moradores afectados de A-dos-Melros, lamenta o arrastar do caso e que os moradores não tenham até hoje recebido qualquer apoio para reparar as habitações. “As rachas e os danos nas casas cá continuam”, confirma.

Estudo não estabeleceu nexo de causalidade
Em Janeiro de 2024 o estudo realizado na aldeia concluiu que não havia risco imediato das habitações virem a ruir, com os técnicos a não conseguirem estabelecer um nexo directo de causalidade entre os rebentamentos e o estado em que se encontram as habitações. No entanto, o documento exigia à Cimpor a tomada de medidas preventivas e maiores cuidados para que a situação não se agravasse.
“Não ficámos satisfeitos com esse estudo porque percebemos que não foi tão independente como isso. Foi feito apenas para mostrar na DGEG (Direcção-Geral de Energia e Geologia) que a pedreira foi inócua para as casas. Senti-me profundamente defraudada”, critica a moradora, avisando que a exploração da pedreira está hoje “praticamente no alto da aldeia”, situação que faz levantar preocupações. “Continuamos a ouvir vibrações constantes em casa. A Cimpor pode já não estar a fazer rebentamentos mas continuamos muito preocupados com a fragilização da montanha que fica atrás da aldeia. Temo que possamos vir a ficar soterrados”, alerta. A ASAP está a planear em breve realizar novas acções públicas para alertar para os problemas que continuam por resolver na aldeia.

Cimpor anuncia nova mineradora

Entretanto a Cimpor anunciou, na última semana, a entrada ao serviço na pedreira do Bom Jesus, em Alhandra, de uma nova mineradora de superfície. “Esta inovadora tecnologia permite a extracção de matéria-prima sem recurso a perfuração e desmonte com explosivos, reforçando significativamente os padrões de segurança operacional, e abre caminho para um novo paradigma de responsabilidade social e ambiental nos métodos da exploração de pedreiras”, anunciou em comunicado. A pedreira do Bom Jesus abrange 325 hectares e é a maior área de exploração mineral não metálica licenciada em Portugal.
“Se no início da sua actividade a pedreira estava afastada de qualquer centro urbano, o crescimento populacional resultou na aproximação das comunidades às áreas de exploração. Esta proximidade ampliou o desafio de encontrar alternativas para minorar os impactos inerentes às metodologias tradicionais de extracção, que incluem vibrações e ruído”, refere a Cimpor.
Após o que diz ser uma “exaustiva avaliação técnica e económica”, a empresa refere que a mineração de superfície emergiu como a solução ideal. “Este método oferece um fluxo de produção consistente, ao mesmo tempo que garante uma redução drástica do ruído e das vibrações”, anuncia.

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