Sociedade | 11-04-2026 20:05

Cinco dezenas saem à rua pela continuidade das urgências de obstetrícia

Cinco dezenas saem à rua pela continuidade das urgências de obstetrícia
foto CDU de Alenquer

Protesto junto ao Ministério da Saúde contou com utentes dos concelhos de Vila Franca de Xira e Alenquer, entre outras zonas do país. Em causa está o encerramento de serviços e a falta de médicos.

Cerca de meia centena de pessoas manifestou-se, este sábado, em frente ao Ministério da Saúde, em Lisboa, em defesa da manutenção das urgências de ginecologia e obstetrícia e do reforço do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Sob palavras de ordem como “A saúde é um direito, sem ela nada feito”, o protesto foi convocado pelo Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos (MUSP). Marcaram presença munícipes do concelho de Vila Franca de Xira e Alenquer, entre outras zonas do país.
Em declarações à Lusa, Humberto Costa, dirigente do MUSP, apontou críticas às políticas do Governo, acusando-o de estar a criar “situações inacreditáveis” em unidades hospitalares como Vila Franca de Xira, Barreiro e Abrantes, onde, segundo afirmou, têm vindo a ser perdidas valências, nomeadamente nas áreas de ginecologia e obstetrícia.
O responsável defendeu ainda que está em curso uma transferência do SNS para o sector privado, denunciando uma alegada suborçamentação da saúde. “Consideramos que este Governo está a procurar transferir aquilo que é o nosso Serviço Nacional de Saúde para o sector privado”, afirmou.
Já Madalena Gomes, 59 anos, residente em Alverca do Ribatejo, denunciou a falta de médicos de família na sua área de residência. Segundo a utente, existem cerca de 10 mil pessoas sem médico em Alverca. “Deveriam estar no centro de saúde cinco médicos, mas só está a exercer uma médica. Temos uma população muito envelhecida, com muitos idosos”, referiu, acrescentando que, para ter consulta, é muitas vezes necessário deslocar-se a Vila Franca de Xira.
No final da concentração o MUSP entregou no Ministério da Saúde uma moção com cinco reivindicações principais: o aumento do investimento no SNS, o reforço do orçamento para a saúde, a manutenção dos cuidados de saúde primários na esfera pública, a garantia de equipas de saúde familiar para todos os utentes e a abertura de todas as urgências de obstetrícia e ginecologia nos hospitais.
No documento, os utentes alertam que as actuais políticas “põem em causa a garantia do acesso de todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, aos cuidados da medicina preventiva, curativa e de reabilitação”.
A iniciativa marcou o final de uma semana de luta promovida pelo movimento, que exige um reforço do investimento público no SNS e defende “um sistema público forte, universal e de qualidade para todos os cidadãos”.

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