Falta de representação institucional em funeral de bombeiro motiva críticas em Coruche
As reacções à morte de um antigo bombeiro de Coruche ultrapassaram a reunião de câmara e ganharam expressão pública, com críticas à actuação do município.
A ausência de qualquer elemento em representação do executivo municipal e dos Bombeiros Municipais de Coruche no funeral de um antigo bombeiro com décadas de serviço à corporação gerou críticas entre a população e motivou diversas reacções públicas, incluindo de familiares. Na reunião do executivo da Câmara de Coruche de 1 de Abril foi aprovado um voto de pesar pelo falecimento de Marcolino Serra Cabaço, que morreu aos 69 anos, decisão que será comunicada à família, tendo sido também cumprido um minuto de silêncio em sua homenagem.
Marcolino Serra Cabaço ingressou na corporação em 1972, atingiu a categoria de bombeiro municipal de 2.ª classe e aposentou-se em 2008, após 36 anos de serviço público. Ao longo desse percurso, ficou associado a uma vida de dedicação à comunidade, marcada pelo compromisso com o socorro e com o lema “vida por vida”. De acordo com a informação fúnebre, o corpo esteve em câmara ardente na Igreja de São Pedro, em Coruche, tendo as cerimónias religiosas decorrido no mesmo local, seguindo-se a cremação no Crematório Municipal de Almeirim. Durante a sessão de câmara, o vereador Dionísio Mendes destacou o contributo do antigo bombeiro para o concelho, referindo que “deu muito de si a Coruche”. E considerou que, apesar de o tema dever ser tratado com cuidado, não pode deixar de ser assinalado, aludindo à ausência de manifestação de pesar e de representação institucional no funeral.
Também o vereador Francisco Gaspar se associou à homenagem, mas lamentou a falta de representação do município nas cerimónias fúnebres, afirmando que “não há nenhuma falha justificável perante aquilo que aconteceu”. O autarca recordou que qualquer um dos sete eleitos pode representar institucionalmente o executivo, desde que haja decisão e delegação por parte do presidente. O social-democrata referiu ainda que existem bombeiros que não integram o quadro de honra, o que considera afectar quem se dedicou à corporação, apontando o caso de Marcolino Serra Cabaço, que não fazia parte desse quadro, apesar de mais de 15 anos de serviço.
O presidente da Câmara de Coruche, Nuno Azevedo, afirmou ter tido conhecimento do falecimento apenas após as cerimónias fúnebres, defendendo, porém, a necessidade de um tratamento transversal no reconhecimento de todos os funcionários municipais e daqueles que “deram o melhor de si”, sublinhando que a autarquia deve estar presente “na hora da despedida”.
Nas redes sociais, familiares e cidadãos manifestaram desagrado com a situação. Catarina Cabaço, filha do antigo bombeiro, agradeceu a aprovação do voto de pesar, mas lamentou que o reconhecimento tenha surgido apenas após a iniciativa de colegas e amigos, sublinhando que “a ausência de representação oficial nas cerimónias fúnebres se fez notar”. Outros comentários expressaram indignação face ao sucedido, apontando falta de respeito e criticando o facto de o reconhecimento institucional ter ocorrido apenas depois de a situação se ter tornado pública, enquanto várias mensagens destacaram o percurso e a dedicação de Marcolino Serra Cabaço à corporação e à comunidade.


