Sociedade | 11-04-2026 12:00

Fogo na Ribtejo volta a expor fragilidade do Eco Parque do Relvão

Fogo na Ribtejo volta a expor fragilidade do Eco Parque do Relvão

Incêndio que deflagrou domingo, 5 de Abril, numa zona de resíduos industriais da Ribtejo voltou a expor a vulnerabilidade do Eco Parque do Relvão, na Chamusca, um complexo industrial com um longo histórico de ocorrências semelhantes e sucessivos alertas sobre prevenção e fiscalização.

O incêndio que deflagrou na tarde de domingo, 5 de Abril, numa zona de resíduos industriais da empresa Ribtejo, no Eco Parque do Relvão, na Carregueira, volta a acender os alarmes num complexo industrial que há muito tem com ocorrências desta natureza. O fogo mobilizou mais de três dezenas de bombeiros e onze viaturas das corporações da Chamusca, Golegã, Alpiarça e Almeirim, além da Guarda Nacional Republicana (GNR), que foi chamada para impedir a aproximação de cidadãos ao local. Apesar da dimensão do aparato, as chamas ficaram circunscritas à zona de resíduos e não provocaram feridos nem danos em infraestruturas.
Mais do que um episódio isolado, este novo incêndio reaviva um problema recorrente num espaço que continua a gerar preocupação entre autarcas, populações e agentes de protecção civil. O MIRANTE tem noticiado ao longo dos anos várias ocorrências no Eco Parque do Relvão, um local onde se concentram actividades de tratamento e valorização de resíduos e que, pela própria natureza dos materiais ali depositados, exige vigilância apertada e capacidade de resposta permanente. Projectado em 2004, o Relvão reúne em cerca de 600 hectares de empresas ligadas ao tratamento de resíduos urbanos, hospitalares e industriais, incluindo resíduos perigosos, o que torna qualquer incidente particularmente sensível.
Em Julho de 2013, um incêndio no aterro de resíduos industriais da Ribtejo provocou a intoxicação de cinco bombeiros, quatro assistidos no local e um transportado ao Hospital de Santarém. Na altura, o fogo ficou limitado à parte descoberta do aterro, mas houve dificuldade devido à possibilidade de formação de bolsas de metano. Nesse mesmo período, O MIRANTE deu conta de outro incêndio na mesma zona, nas instalações da Resitejo, que destruiu toneladas de plástico destinado à reciclagem. Um ano depois, em 2014, um violento incêndio nas instalações da Resitejo voltou a colocar em cima da mesa a necessidade de uma comissão de acompanhamento activa e eficaz para o Eco Parque do Relvão. Essa discussão mantém-se actual. Em Março de 2024, o nosso jornal noticiou que a comissão de acompanhamento não reunia desde a pandemia e que persistiam dúvidas sobre relatórios de qualidade do ar, da água e sobre outras ocorrências ambientais no complexo.

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