Urgências fechadas obrigam grávida a dar à luz no quartel de Vila Franca de Xira
Bombeiros e equipa médica da VMER de Vila Franca de Xira ajudaram a mulher a dar à luz no quartel, porque já não teve tempo de chegar às urgências de Loures. Novo comandante dos bombeiros admite preocupação com a situação e espera que o encerramento das urgências obstétricas da sua cidade seja apenas transitório.
Passava pouco tempo das três da tarde quando uma mulher, em iminente trabalho de parto, chegou ao quartel dos Bombeiros de Vila Franca de Xira, levada por familiares, tendo acabado por ter a criança dentro de uma ambulância que estava estacionada no edifício. Alegadamente, a mulher ainda se terá deslocado ao Hospital Vila Franca de Xira, tendo-lhe sido dito que as urgências obstétricas estavam encerradas e que deveria rumar ao Hospital de Loures para dar à luz. Já não conseguiu lá chegar.
A parturiente chegou ao quartel de VFX no dia 31 de Março em trabalho de parto adiantado e os bombeiros da corporação não perderam tempo, começando de imediato os procedimentos necessários ao nascimento da bebé, tendo também sido accionada a equipa da Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) do Hospital Vila Franca de Xira para apoiar no nascimento da criança. A parturiente foi colocada dentro de uma ambulância, estacionada no quartel, e foi aí que acabou por dar à luz. A criança nasceu às 15h39, segundo informação dos bombeiros. Depois do parto, mãe e filha foram encaminhadas para o Hospital Vila Franca de Xira, onde ficaram em observação. Ambas estão bem de saúde.
O caso veio chamar novamente a atenção para a polémica decisão do Governo de encerrar as urgências obstétricas do Hospital VFX. Pedro Carolino, o novo comandante dos Bombeiros de VFX, admite a O MIRANTE alguma preocupação com a possibilidade destas situações voltarem a acontecer, embora diga esperar que o encerramento das urgências seja apenas um constrangimento temporário.
“Com o fecho das urgências, é um facto que o tempo de deslocação para Loures não é a mesma coisa que para Vila Franca de Xira. Vamos assistir a uma diferente minimização da capacidade de resposta. Passamos a ter de fazer um transporte de 15 minutos ou mais para Loures em vez de cinco minutos para o nosso hospital”, constata o responsável.
Segundo as estatísticas, nunca como no último ano houve tantos bebés a nascer em ambulâncias ou na via pública, como aconteceu no final do ano passado no Carregado. Os partos nestas circunstâncias, a caminho do hospital, aumentaram 114% face ao ano anterior. Um número a que não será alheio o facto de as parturientes terem de realizar mais quilómetros para conseguirem chegar ao hospital, como apontam as comissões de utentes, que continuam a manifestar-se contra os encerramentos.
Também os autarcas dos cinco concelhos servidos pelo Hospital VFX estão contra o encerramento e querem o Parlamento a discutir o tema. Em 2025, o INEM e os parceiros do sistema de emergência médica foram chamados a intervir em 277 partos em contexto pré-hospitalar, dos quais 23 ocorreram na rua e 60 em meios de socorro, sobretudo na região centro e em Lisboa e Vale do Tejo.
26 partos transferidos de VFX para Loures
Desde que foi decidido o encerramento das urgências de ginecologia e obstetrícia do Hospital Vila Franca de Xira (HVFX), e o consequente encaminhamento das grávidas para as urgências do Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, em 16 de Março último, pelo menos 26 mulheres vindas dos cinco concelhos servidos pelo HVFX deram à luz em Loures, segundo fonte hospitalar.


