Sociedade | 12-04-2026 12:00

Entre desalojamentos e traumas, Ferreira do Zêzere ainda está a recuperar

Entre desalojamentos e traumas, Ferreira do Zêzere ainda está a recuperar
Além de estragos materiais o mau tempo deixou feridas sociais ainda por sarar em Ferreira do Zêzere - Foto CM Ferreira Zêzere

Depois da tempestade Kristin, Ferreira do Zêzere continua a enfrentar uma crise social silenciosa: há crianças ainda afastadas do centro de acolhimento destruído e centenas de famílias dependentes de apoio para recuperar não só casas e bens, mas também estabilidade emocional.

Dois meses depois da passagem da tempestade Kristin, Ferreira do Zêzere continua a contar estragos materiais, mas sobretudo feridas sociais e emocionais que estão longe de sarar. No concelho, 12 crianças do Centro de Acolhimento Temporário (CAT), destruído na noite do temporal, continuam realojadas num albergue de peregrinos em Areias, enquanto cerca de 300 famílias permanecem sob acompanhamento das equipas de acção social. O CAT, estrutura essencial na protecção de crianças e jovens em risco, ficou inutilizado quando o telhado abateu durante a tempestade de 28 de Janeiro. Desde então, o edifício permanece encerrado, silencioso, com marcas visíveis da violência do temporal. As 12 crianças, com idades entre os 3 e os 17 anos, foram retiradas de urgência e transferidas para um espaço adaptado provisoriamente, onde continuam a viver sem horizonte definido para o regresso.
Mas o drama do CAT é apenas a face mais visível de uma crise mais vasta. Cerca de 85% das habitações do concelho sofreram danos, deixando muitas famílias desalojadas ou em situação de elevada fragilidade. Por toda a parte persistem sinais da tempestade: árvores tombadas, postes caídos, telhados remendados à pressa e infra-estruturas ainda por recuperar. Todos os oito equipamentos sociais de Ferreira do Zêzere foram afectados, entre lares, creches e centros de dia, com prejuízos superiores a 900 mil euros. Só a recuperação do CAT deverá custar cerca de 300 mil euros. Ao mesmo tempo, os pedidos de ajuda continuam a chegar em número elevado, ultrapassando já os 4.000.
No terreno, as equipas de acção social continuam a prestar apoio alimentar, bens essenciais, pequenas reparações, orientação social e acompanhamento psicológico. O trabalho estende-se sobretudo a famílias vulneráveis, idosos isolados e crianças que continuam a lidar com medo, ansiedade e instabilidade. A recuperação avança a um ritmo lento, condicionada pela falta de meios técnicos e humanos. E se os danos materiais são evidentes, o maior desafio continua a ser devolver segurança, confiança e alguma normalidade a uma comunidade que ainda vive entre desalojamentos, traumas e incerteza.

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