Sociedade | 12-04-2026 07:00

Funcionamento da empresa intermunicipal Ecolezíria alvo de críticas em Benavente

lixo natal
foto ilustrativa

Autarcas da Câmara de Benavente alertam para dificuldades na gestão e transporte de resíduos na região e para o cenário de passarem a ter de despejar os resíduos domésticos em aterros mais distantes, encarecendo o serviço.

A presidente da Câmara de Benavente, Sónia Ferreira (PSD), considera que a empresa intermunicipal Ecolezíria “não está a funcionar como deveria”, admitindo dificuldades na gestão e transporte de resíduos no concelho e na região. Em reunião de câmara, a autarca reconheceu constrangimentos no funcionamento do sistema intermunicipal de tratamento de resíduos, apontando o encerramento frequente do centro de transferência de Salvaterra de Magos como uma das principais dificuldades.
Segundo Sónia Ferreira, o encerramento daquela infraestrutura obriga os serviços municipais a deslocarem-se até à unidade da Raposa, no concelho de Almeirim, para proceder à descarga de resíduos, o que representa “mais de duas horas” adicionais por dia de trabalho para as equipas do município. A autarca adiantou que a situação está a ser acompanhada no âmbito da Ecolezíria, estando a ser avaliado o destino de alguns resíduos, acrescentando que prestará mais esclarecimentos assim que existirem novas informações.
A Ecolezíria é a empresa intermunicipal responsável pela gestão e tratamento resíduos urbanos em vários concelhos da Lezíria do Tejo (Almeirim, Alpiarça, Benavente, Cartaxo, Coruche e Salvaterra de Magos), garantindo a recolha, transporte e destino final do lixo produzido naquela região. Na mesma reunião do executivo municipal, o vereador da oposição Pedro Gameiro (PS) alertou para problemas no funcionamento da empresa intermunicipal, admitindo que esta possa estar prestes a deixar de receber resíduos dos municípios associados.
Lixo mais longe encarece serviço
Segundo Pedro Gameiro, os problemas verificados na Ecolezíria poderão obrigar ao encaminhamento do lixo para fora da região, nomeadamente para Évora, depois de alegadamente não existir capacidade de recepção noutros locais. “O lixo vai ter de ir para longe, vai aumentar custos”, afirmou, admitindo que o aumento de custos possa vir a ser reflectido na factura da água, através da introdução de novos encargos.
Também o vereador com pelouros do Chega na Câmara de Benavente, Frederico Antunes, considerou que a gestão de resíduos no concelho constitui “um problema grave”, devido à inexistência de alternativas na região para a deposição do lixo. Segundo o autarca, o aterro da Raposa deverá ser encerrado “muito em breve”, sublinhando que não existem atualmente locais disponíveis na região para receber resíduos, em resultado “das restrições impostas pela legislação europeia”.
Frederico Antunes afirmou que a União Europeia proíbe “a criação de novos aterros e a incineração de resíduos”, “limitando as opções disponíveis”, e defendeu que o problema ultrapassa a esfera municipal, devendo ser tratado a nível nacional. Alertou ainda que, mesmo com o reforço dos meios logísticos, a ausência de um destino final para os resíduos poderá levar a situações críticas até ao final do ano, sublinhando que “o lixo vai ter de ficar em algum sítio” caso não seja encontrada uma solução estrutural.

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