Sociedade | 13-04-2026 18:24

Associação Portuguesa de Menopausa alerta para “atraso inaceitável” no tratamento da condição e exige resposta do Estado

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foto ilustrativa

Associação VIDAs denuncia falhas no diagnóstico e acompanhamento clínico na menopausa, sendo Portugal o 2º país da OCDE em consumo de antidepressivos e o 1º em ansiolíticos.

A Associação Portuguesa de Menopausa (VIDAs) alertou para aquilo que classifica como um “atraso inaceitável” na forma como Portugal encara a menopausa, defendendo que a ausência de uma resposta eficaz do Estado é uma “falha” na saúde pública e na igualdade. Perante este cenário, a VIDAs anunciou que irá apresentar ao Governo um conjunto de propostas para garantir que a futura estratégia nacional para a menopausa tenha impacto real na vida das mulheres.
A posição foi defendida dia 28 de Março no evento internacional “Menopausa e Direitos Humanos – Da Lei ao Compromisso”, que juntou em Lisboa especialistas e responsáveis políticos como a ex-ministra da Saúde e actual Vice-Presidente da Sub-Comissão dos Direitos Humanos do Parlamento Europeu, Marta Temido, a ex-Directora-Geral da Saúde, Graça Freitas, e o ex-Ministro da Saúde, Manuel Pizarro. Segundo a associação, a falta de reconhecimento clínico adequado e de acompanhamento nesta fase da vida leva a diagnósticos incompletos e a medicação desajustada, num contexto em que Portugal surge entre os países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) com maior consumo de psicofármacos. “Num país que está no topo do consumo de antidepressivos e ansiolíticos, o mínimo exigível é saber quantas mulheres estão a atravessar a perimenopausa sem reconhecimento clínico adequado”, afirmou a presidente da VIDAs, Cristina Mesquita, sublinhando que “o que encontramos no terreno desde 2019 são mulheres silenciadas, desinformadas, muitas vezes medicadas, e sem enquadramento para perceber o que lhes está a acontecer”.
Outras intervenções no evento apontaram falhas estruturais no sistema de saúde e na formação médica, sublinhando Manuel Pizarro que o sistema “continua a formar mal os profissionais de saúde para a saúde da mulher”, o que, na sua perspectiva, resulta em “ignorância clínica” e numa resposta insuficiente. Graça Freitas também considerou que o país está “atrasadíssimo” nesta matéria, defendendo que a menopausa tem dimensão social e económica suficiente para ser tratada com o devido orçamento e “compromisso político”. Por sua vez, a eurodeputada Catarina Martins criticou a forma como o tema é tratado em alguns contextos políticos, referindo que ainda é recebido com “risinhos e imaturidade política até nos parlamentos”, reforçando o bastonário da Ordem dos Advogados, João Massano, que o “silêncio” e os “risinhos parvos” é a “primeira forma de discriminação” deste tema. Perante este cenário, a VIDAs anunciou que vai exigir “compromissos concretos” ao Governo na aplicação de medidas nesta matéria. “Hoje não termina uma conversa, começa uma obrigação”, afirmou Cristina Mesquita, sublinhando que a consagração legal da menopausa foi um passo histórico, mas não “equivale a uma mudança real na vida das pessoas”.

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