Em Fátima foram reveladas novas denúncias de abusos sexuais na Igreja
Em Fátima, o Grupo VITA confirmou o surgimento de novas denúncias de abusos sexuais no contexto da Igreja Católica, relativas a casos antigos e alegados agressores já falecidos. A coordenadora, Rute Agulhas, sublinhou que muitas das vítimas procuram agora, pela primeira vez, apoio psicológico e espaço para serem ouvidas.
O Grupo VITA, criado pela Conferência Episcopal Portuguesa para acompanhar situações de abuso sexual na Igreja Católica, continua a receber novas denúncias, algumas relacionadas com casos antigos cujos alegados abusadores já morreram. A informação foi avançada em Fátima por Rute Agulhas, coordenadora da estrutura, à margem do V Encontro Nacional das Comissões Diocesanas de Protecção de Menores e Adultos Vulneráveis. “Têm surgido alguns novos casos, sim. São casos em que as pessoas, claramente, procuram ajuda, não pensando na compensação financeira”, afirmou a responsável aos jornalistas. Segundo explicou, tratam-se de situações antigas, mas de vítimas que estão agora a quebrar o silêncio pela primeira vez.
Rute Agulhas recusou adiantar números, explicando que o Grupo VITA apenas actualiza os dados em relatórios semestrais. “Não fazemos esse tipo de apuramento de forma intercalada. De seis em seis meses apresentamos um relatório e nesse relatório actualizamos todos os dados”, referiu. De acordo com a coordenadora, muitas das pessoas que contactam a estrutura fazem-no para poder falar sobre o que viveram e, em vários casos, para obter apoio psicológico. Quanto aos potenciais abusadores, indicou que estão já falecidos, por se tratarem de factos ocorridos há mais tempo, sem especificar se eram sacerdotes. A responsável alertou ainda para outra preocupação: situações mais recentes, que ainda não prescreveram do ponto de vista criminal, podem não estar a chegar às estruturas da Igreja. Nesse contexto, sublinhou a importância do trabalho de proximidade desenvolvido junto de escolas, escuteiros e catequistas, por serem adultos que acompanham de perto crianças e jovens.
Rute Agulhas revelou também que o Grupo VITA continua a ser procurado por vítimas de abusos ocorridos fora do contexto da Igreja, nomeadamente em ambiente familiar ou escolar, bem como em casos de violência doméstica. Nessas situações, a estrutura encaminha os pedidos para as entidades competentes, de acordo com a área de residência de cada pessoa. Sobre o montante das compensações financeiras às vítimas de abusos sexuais na Igreja Católica, fixado entre 9 mil e 45 mil euros, a coordenadora recusou comentar, lembrando que o Grupo VITA não participou na definição desses valores. Quanto ao futuro da estrutura, cujo primeiro plano de actividades termina no final de Maio, Rute Agulhas garantiu existir disponibilidade para continuar o trabalho. Admitiu, no entanto, que uma eventual nova fase exigirá objectivos diferentes, ajustados à realidade actual. A responsável frisou ainda que o processo de compensações financeiras representa apenas uma parte do caminho de reparação em curso. Segundo disse, continua a haver muito trabalho por fazer, quer no acolhimento e acompanhamento das vítimas, quer na mudança das próprias estruturas da Igreja.


