Vereadora de Tomar condena acto de vandalismo em mural e fala em banalização do ódio
Vereadora da oposição na Câmara de Tomar, Filipa Fernandes, condenou o acto de vandalismo sobre um mural da cidade onde surgia retratada, considerando que o episódio não a atinge pessoalmente, mas expõe a banalização do ódio e do desrespeito no espaço público.
Filipa Fernandes, actual vereadora da oposição na Câmara de Tomar e antiga vice-presidente do município, reagiu ao acto de vandalismo de que foi alvo num mural da cidade, onde a sua imagem apareceu pintada de preto. Num desabafo público, publicado nas redes sociais, a autarca começou por pedir, de forma irónica, “desculpa aos impulsionadores” por só agora lhes dedicar “um minuto de atenção”, deixando claro que o episódio, mais do que a atingir pessoalmente, revela um problema mais fundo e preocupante.
A obra em causa (ver foto) foi encomendada pela Junta de Freguesia de São João Baptista e Santa Maria dos Olivais e, segundo explica, a escolha das imagens foi da exclusiva responsabilidade da artista Silvia Marieta, cujo percurso diz admirar. Filipa Fernandes recorda que, quando se viu retratada no mural, foi apanhada de surpresa e sentiu orgulho por integrar uma obra que representa muito da identidade de Tomar. Agora, perante a adulteração da pintura, recusa classificar o sucedido como uma forma de arte ou de intervenção. Para a vereadora, trata-se de “um gesto que revela muito” sobre quem o fez ou mandou fazer, e sobre a mensagem que se tenta normalizar no espaço público. O que mais a inquieta, sublinha, é o exemplo que se está a dar e a forma como o desrespeito e o ódio vão sendo banalizados.
Apesar disso, garante que não ficou abalada por ver o seu rosto apagado. “Nem o sono me tirou”, afirma, admitindo até que o acto possa ter feito “feliz muita gente”. O que lamenta verdadeiramente é o vandalismo cometido sobre um trabalho artístico. Ainda assim, Filipa Fernandes diz acreditar que a comunidade é “mais do que isto” e reafirma a confiança no respeito, na memória, no trabalho e nos valores que, diz, “não se apagam com tinta”.


