Autarca de Almeirim justifica que não pode gastar 3,4 milhões em segunda creche
Joaquim Catalão diz que não há grande pressão nesta valência e apesar de desistir do projecto do anterior executivo admite reformulá-lo
O presidente da Câmara de Almeirim, Joaquim Catalão, afirma que a autarquia não tem condições para avançar com a construção da segunda creche municipal prevista para o palacete junto ao Jardim da República. “Foi solicitada uma estimativa que dá a obra mais cara em cerca de 900 mil euros”, explica o autarca a O MIRANTE, sublinhando que o apoio do PRR que só dava para 18% do valor da obra já nem sequer pode ser utilizado. Com o custo total a subir para 3,4 milhões de euros, Catalão considera impossível assumir um investimento desta dimensão atendendo a que o município tem outras obras em curso.
Apesar da desistência do projecto, o presidente garante que o edifício não ficará sem destino. “É preciso olhar para o projecto e ver o que se pode fazer. Desistir da creche não quer dizer que não se faça nada”, afirma. Joaquim Catalão lembra que a valência de creche não apresenta actualmente grandes carências no concelho, até porque a Santa Casa da Misericórdia se prepara para abrir mais 30 vagas. “Pode não fazer sentido, no contexto actual e de futuro, estar a fazer uma creche para 92 lugares”, acrescenta.
O autarca admite que poderá ser estudada uma solução mista, que inclua também jardim‑de‑infância, “onde se começam a sentir algumas carências”, mas frisa que, para já, “não é possível fazer uma obra desta dimensão”.
A creche tinha sido lançada pelo anterior executivo liderado por Pedro Ribeiro, que deixou contratualizado um empréstimo de um milhão de euros para a obra. O projecto previa a reabilitação profunda do palacete degradado junto ao Jardim da República. Os custos foram aumentando e o financiamento do PRR revelou‑se insuficiente desde o início: apenas 368 mil euros, cerca de 18% do valor inicial estimado. Na altura, Pedro Ribeiro admitiu que o apoio era “pouco, muito pouco”, mas defendia que “é o que há” e que, por isso, “é de aproveitar”.
A desistência do projecto acabou por ser tema de discussão na reunião da Câmara de Santarém, onde Pedro Ribeiro é agora vereador na oposição. O presidente João Leite criticou o planeamento deixado pelo socialista e usou a creche de Almeirim como exemplo, lembrando que a obra tinha sido deixada para ser executada pelo novo executivo.
Com a decisão agora assumida, o futuro do palacete e da resposta social prevista para aquele espaço volta a ser reavaliado. Joaquim Catalão insiste que a desistência da creche não significa abandono do imóvel, mas sim a necessidade de encontrar uma solução ajustada às necessidades actuais do concelho e às capacidades financeiras da autarquia.


