Sociedade | 16-04-2026 17:03

Autarca de Almeirim justifica que não pode gastar 3,4 milhões em segunda creche

Autarca de Almeirim justifica que não pode gastar 3,4 milhões em segunda creche

Joaquim Catalão diz que não há grande pressão nesta valência e apesar de desistir do projecto do anterior executivo admite reformulá-lo

O presidente da Câmara de Almeirim, Joaquim Catalão, afirma que a autarquia não tem condições para avançar com a construção da segunda creche municipal prevista para o palacete junto ao Jardim da República. “Foi solicitada uma estimativa que dá a obra mais cara em cerca de 900 mil euros”, explica o autarca a O MIRANTE, sublinhando que o apoio do PRR que só dava para 18% do valor da obra já nem sequer pode ser utilizado. Com o custo total a subir para 3,4 milhões de euros, Catalão considera impossível assumir um investimento desta dimensão atendendo a que o município tem outras obras em curso.

Apesar da desistência do projecto, o presidente garante que o edifício não ficará sem destino. “É preciso olhar para o projecto e ver o que se pode fazer. Desistir da creche não quer dizer que não se faça nada”, afirma. Joaquim Catalão lembra que a valência de creche não apresenta actualmente grandes carências no concelho, até porque a Santa Casa da Misericórdia se prepara para abrir mais 30 vagas. “Pode não fazer sentido, no contexto actual e de futuro, estar a fazer uma creche para 92 lugares”, acrescenta.

O autarca admite que poderá ser estudada uma solução mista, que inclua também jardim‑de‑infância, “onde se começam a sentir algumas carências”, mas frisa que, para já, “não é possível fazer uma obra desta dimensão”.

A creche tinha sido lançada pelo anterior executivo liderado por Pedro Ribeiro, que deixou contratualizado um empréstimo de um milhão de euros para a obra. O projecto previa a reabilitação profunda do palacete degradado junto ao Jardim da República. Os custos foram aumentando e o financiamento do PRR revelou‑se insuficiente desde o início: apenas 368 mil euros, cerca de 18% do valor inicial estimado. Na altura, Pedro Ribeiro admitiu que o apoio era “pouco, muito pouco”, mas defendia que “é o que há” e que, por isso, “é de aproveitar”.

A desistência do projecto acabou por ser tema de discussão na reunião da Câmara de Santarém, onde Pedro Ribeiro é agora vereador na oposição. O presidente João Leite criticou o planeamento deixado pelo socialista e usou a creche de Almeirim como exemplo, lembrando que a obra tinha sido deixada para ser executada pelo novo executivo.

Com a decisão agora assumida, o futuro do palacete e da resposta social prevista para aquele espaço volta a ser reavaliado. Joaquim Catalão insiste que a desistência da creche não significa abandono do imóvel, mas sim a necessidade de encontrar uma solução ajustada às necessidades actuais do concelho e às capacidades financeiras da autarquia.

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