Ecolezíria estagnada corre atrás de soluções para evitar colapso no tratamento de resíduos
A Ecolezíria está à beira da ruptura e sem destino para os resíduos porque, durante anos, nada foi planeado nem construído. O actual presidente do conselho de administração da empresa intermunicipal e da Câmara do Cartaxo, João Heitor, diz ter herdado uma estrutura “estagnada”, sem parcerias e dependente de um aterro que já não pode continuar a ser usado. A empresa pública foi deixada “sem soluções e sem futuro”, obrigando agora a negociações de emergência para evitar o colapso do tratamento de resíduos na região.
A Ecolezíria está sem capacidade para tratar resíduos indiferenciados e recicláveis e encontra‑se “a correr atrás do prejuízo”, depois de anos sem planeamento nem investimento. A situação é confirmada pelo presidente da Câmara do Cartaxo e actual presidente da empresa intermunicipal, João Heitor, que revela que a gestão anterior deixou a empresa “num estado de ruptura”, sem instalações de triagem, sem parcerias e sem alternativas ao aterro da Raposa, em Almeirim, que está no limite e já não vai poder continuar a ser utilizado.
A Ecolezíria não deu continuidade ao contrato com a RSTJ – Gestão e Tratamento de Resíduos, sucessora da Resitejo, assinado em 2015 por Pedro Ribeiro quando presidiu à empresa enquanto autarca de Almeirim. A falta de soluções acumulou‑se ao longo de pelo menos “meia dúzia de anos”. João Heitor, que enquanto presidente assumiu também a liderança executiva da Ecolezíria após a saída do administrador executivo, Dionísio Mendes, afirma que não encontrou trabalho preparado.
“A empresa não criou instalações para triagem e tratamento de lixos nem estabeleceu parcerias para encaminhar os resíduos”, lamenta João Heitor. Neste momento, a Ecolezíria está a negociar com a Valorsul e com a RSTJ soluções de emergência, podendo vir a recorrer a outros sistemas. O autarca admite que a recolha selectiva também “tem que funcionar melhor”, realçando que a empresa está “estagnada há algum tempo”.
Recorde-se que o aterro da Raposa, em Almeirim, chegou a estar encerrado e só voltou a receber resíduos graças a uma autorização excepcional da CCDR‑LVT, com base num pedido para nivelar o monte de lixo acumulado, que no fundo foi a porta aberta para aumentar a altura do aterro. Para o presidente da Ecolezíria, é urgente requalificar as instalações da Raposa para permitir tratamento, triagem e “embalamento” dos resíduos recicláveis. “Estamos a correr contra o tempo”, avisa.
Desde 2013, a empresa, que tem como accionistas os municípios de Almeirim, Alpiarça, Benavente, Cartaxo, Coruche e Salvaterra de Magos, foi presidida, respectivamente, por Pedro Ribeiro, Carlos Coutinho (Benavente) e Hélder Esménio (Salvaterra de Magos).
O objectivo perdido de articulação entre Ecolezíria e Resitejo
O antigo presidente da Ecolezíria, Pedro Ribeiro (2013-2017), disse a O MIRANTE que, quando os autarcas dos municípios associados da então Resiurb (já extinta) — que detinha 49% da Ecolezíria — tomaram posse, um dos principais objectivos foi afastar o privado da empresa para que esta se tornasse totalmente pública e pudesse trabalhar em parceria com a Resitejo (actual RSTJ). Segundo Pedro Ribeiro, chegou a existir a perspectiva de uma articulação operacional entre as duas empresas municipais: a Resitejo ficaria responsável pelo serviço em alta (recepção e tratamento dos resíduos) e a Ecolezíria asseguraria a recolha em baixa e o transporte para o sistema da Carregueira, na Chamusca. Os autarcas chegaram mesmo a consultar o Tribunal de Contas sobre uma possível fusão dos sistemas, que, à partida, não apresentava impedimentos legais, mas nos anos seguintes não se deu continuidade à ideia.


