Sociedade | 16-04-2026 21:00

Espólio de Ribeiro Telles em Coruche sem solução definida

Espólio de Ribeiro Telles em Coruche sem solução definida

A pouco mais de um mês da data em que se assinalaria o 104.º aniversário do arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles, falecido em 2020, a instalação do seu acervo do continua sem um acordo formalizado.

A instalação do espólio do arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles em Coruche continua sem solução definida, apesar das expectativas criadas no final de 2025, e voltou a motivar críticas em reunião de câmara, onde a oposição questionou o atraso do processo e a ausência de decisões concretas.
Em Dezembro do ano passado, o presidente da câmara, Nuno Azevedo (PS), admitia que o município poderia estar “a dias” de uma definição sobre o processo, após uma reunião com a família do arquitecto e a responsável pelo levantamento do acervo, realizada no espaço proposto para acolher a biblioteca e documentação. Na altura, o autarca referia existir interesse e entusiasmo da família quanto ao local, situado no centro histórico de Coruche, e apontava para a necessidade de clarificar questões técnicas, calendário e restantes etapas.
O processo, que se arrasta desde 2023 e já gerou tensão política, tinha como objectivo garantir a instalação integral do espólio em Coruche, afastando hipóteses de transferência para outras instituições, como a Universidade de Évora ou a Fundação Calouste Gulbenkian. A intenção do município passava por criar um espaço com condições adequadas de preservação e consulta, capaz de acolher milhares de livros, projectos e documentos do arquitecto.
No entanto, na reunião de 1 de Abril, Dionísio Mendes, vereador eleito pelo movimento independente Volta Coruche/25, manifestou dúvidas quanto à viabilidade do calendário anteriormente anunciado, que apontava para uma inauguração a 26 de Maio. O autarca referiu não ter conhecimento de obras nem de avanços concretos, considerando curto o prazo para adaptar um edifício e instalar o acervo em condições técnicas adequadas.
Também Francisco Gaspar, vereador eleito pelo PSD, afirmou não ter sido apresentado qualquer contrato de comodato ou outro instrumento legal relativo ao espaço, nem existirem sinais de intervenção no edifício. O vereador questionou ainda o cumprimento dos compromissos assumidos perante a população e a família, incluindo a Avenida do Sorraia, que deverá receber o nome do arquitecto. A alteração da toponímia da Avenida do Sorraia, aprovada em sessão camarária em Fevereiro de 2025, permanece por concretizar, tendo o município justificado o adiamento com a intenção de associar a homenagem à abertura do espaço dedicado ao espólio.
O presidente da câmara, Nuno Azevedo, reconheceu que o processo do espólio “ainda não está tratado”, explicando que decorrem contactos com a família e com a Universidade de Évora. O autarca referiu que uma reunião tripartida entre as partes, onde se inclui o município coruchense, foi adiada por decisão da família, devido ao processo eleitoral para a reitoria da universidade alentejana que, entretanto, se concluiu e, por isso, a situação deverá ser retomada a curto prazo.
O autarca assegurou que o município tem “soluções e respostas para dar” e que existe concordância da família, mas não avançou com um local definitivo nem com prazos concretos para a instalação do acervo. Quanto às comemorações de Maio, indicou que a data deverá ser assinalada em Coruche com a evocação do dia, sem adiantar pormenores.

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