Sociedade | 16-04-2026 08:30

PJ voltou à Chamusca para consultar processos do mandato anterior

PJ voltou à Chamusca para consultar processos do mandato anterior

Polícia Judiciária voltou aos Paços do Concelho da Chamusca. Desta vez, a consulta de processos incidiu sobretudo sobre processos de licenciamento realizados pelo anterior executivo, liderado por Paulo Queimado.

A Polícia Judiciária voltou a entrar no edifício dos Paços do Concelho da Chamusca para consultar processos do departamento de Urbanismo, sobretudo ligados a licenciamentos realizados no mandato anterior liderado por Paulo Queimado. A confirmação foi feita pelo actual presidente da câmara, Nuno Mira, na reunião camarária de 15 de Abril, depois de uma pergunta do vereador João Santos. “Houve uma investigação da Polícia Judiciária recentemente no edifício da Chamusca sobre assuntos do mandato anterior”, afirmou o autarca, sem adiantar pormenores.
Mais tarde, em declarações a O MIRANTE, Nuno Mira manteve a mesma contenção. Recusou alongar-se sobre o conteúdo da investigação, limitando-se a garantir que o município está a colaborar com as autoridades. A resposta curta deixa, no entanto, uma certeza: os dossiers herdados do anterior executivo continuam longe de estar arrumados e o Urbanismo passou agora a ser mais um possível problema para o novo executivo resolver.
Esta nova passagem da PJ pela Câmara da Chamusca encaixa numa sucessão de diligências tornadas públicas ao longo dos últimos anos por O MIRANTE, todas elas relacionadas com decisões tomadas durante a presidência de Paulo Queimado. Em Maio de 2021, inspectores da Polícia Judiciária estiveram nos Paços do Concelho para averiguar documentação ligada à aquisição de dois imóveis e ao polémico projecto do novo Arquivo Municipal, que, diga-se, ainda não foi inaugurado. Em causa estava a compra, em 2019, por 80 mil euros, de um edifício pertencente aos herdeiros de Manuel Romão, então ligado à maioria socialista, e o chamado edifício Salter Cid, adquirido antes pelo município por 463 mil euros. O caso ganhou dimensão política depois de se saber que o projecto do arquivo rondava mais de um milhão de euros, não tinha financiamento europeu e viu concursos públicos ficarem desertos. Na altura, o assunto gerou forte contestação política e pública, até porque a oposição questionava a falta de transparência em torno do projecto.
Dois anos mais tarde, em Março de 2023, a Judiciária regressou à Chamusca para consultar processos relativos à edição de livros adjudicados pelo município a uma empresa gerida pelos filhos de Joaquim José Garrido, então presidente da assembleia municipal. Os inspectores analisaram contratos relacionados com a “Carta Arqueológica do Concelho da Chamusca” e com “100 anos, 100 poemas”, levando documentação e realizando também buscas na empresa e em habitações ligadas aos visados. O investimento municipal nesses trabalhos ultrapassava os 50 mil euros. Esse processo teve desenvolvimentos políticos e judiciais relevantes. Em Abril de 2023, Paulo Queimado confirmou em reunião de executivo que tinha sido constituído arguido, e a informação pública então divulgada indicava que Joaquim José Garrido também assumia essa condição no mesmo inquérito. Até aos dias de hoje não se conhecem novos desenvolvimentos sobre este caso.

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