ASPA no limite denuncia vaga de abandono animal em Santarém
Associação Scalabitana de Protecção Animal está sob forte pressão devido ao aumento do abandono de animais na região de Santarém. Com mais de 150 cães e 14 gatos acolhidos, a instituição alerta para a falta de meios humanos e financeiros e pede mais responsabilização dos donos e maior apoio da comunidade.
A Associação Scalabitana de Protecção Animal (ASPA) está a braços com uma realidade cada vez mais difícil de gerir. A instituição, que há 44 anos trabalha no resgate, tratamento e encaminhamento de cães e gatos para adopção responsável, acolhe actualmente 152 cães e 14 gatos, num contexto marcado pelo aumento do abandono animal na região de Santarém. Criada pela iniciativa de um grupo de cidadãos sensibilizados para a necessidade de dar resposta aos animais sem abrigo, a associação foi crescendo ao longo dos anos, mas sem nunca perder a missão que esteve na sua origem. Hoje essa missão está a ser posta à prova pela pressão crescente sobre a capacidade de acolhimento.
Segundo Pedro Pinto, de 69 anos, responsável pela ASPA há cerca de 13 anos, o abandono continua a ser a principal porta de entrada de animais na associação. O caso mais recente ilustra bem a dimensão do problema: sete cachorros foram deixados à porta do canil, dentro de caixas. “Há meses particularmente críticos, como Janeiro, Fevereiro e Março, em que o abandono aumenta e as adopções diminuem significativamente”, lamenta.
Para contrariar esse cenário, a ASPA mantém um processo de adopção exigente, baseado numa candidatura, na avaliação das condições dos futuros donos e na interação entre o animal e a família candidata. Depois da entrega, continua a existir acompanhamento, o que tem contribuído para uma taxa de sucesso elevada e poucos casos de devolução. Mas os desafios não se ficam pelo excesso de animais. A associação debate-se também com dificuldades financeiras. Apesar de receber um apoio mensal de cerca de três mil euros da autarquia, Pedro Pinto sublinha que esse valor serve sobretudo para ajudar a suportar salários e encargos. O restante depende de donativos, quotas de associados e apoios de outras entidades e superfícies comerciais, nomeadamente na oferta de alimentação e bens essenciais.
A falta de recursos humanos é outro dos principais entraves. A ASPA conta com apenas dois funcionários e cerca de 20 voluntários, número manifestamente insuficiente para responder às necessidades diárias. Ainda assim, a associação desenvolve também um papel social relevante, integrando pessoas com deficiência através de programas de emprego. Na vertente clínica, a resposta também está longe do ideal. A ASPA depende do apoio do veterinário municipal, mas, perante a ausência de equipamentos próprios, é obrigada a recorrer a clínicas externas nos casos mais complexos, o que representa custos acrescidos. Ter um veterinário em permanência é um dos objectivos de longo prazo, embora Pedro Pinto o classifique como um “sonho difícil”.
A associação insiste ainda na necessidade de maior responsabilização dos donos e de uma aplicação efectiva da legislação relativa à identificação electrónica dos animais, defendendo penalizações mais pesadas para os casos de abandono. Ao mesmo tempo, apela ao reforço do voluntariado e à sensibilização da comunidade. “Os animais devem ser vistos como parte integrante da família”, defende Pedro Pinto.


