Sociedade | 17-04-2026 15:00

ASPA no limite denuncia vaga de abandono animal em Santarém

ASPA no limite denuncia vaga de abandono animal em Santarém
Pedro Pinto, responsável pela ASPA, alerta para o aumento do abandono na região de Santarém - foto DR

Associação Scalabitana de Protecção Animal está sob forte pressão devido ao aumento do abandono de animais na região de Santarém. Com mais de 150 cães e 14 gatos acolhidos, a instituição alerta para a falta de meios humanos e financeiros e pede mais responsabilização dos donos e maior apoio da comunidade.

A Associação Scalabitana de Protecção Animal (ASPA) está a braços com uma realidade cada vez mais difícil de gerir. A instituição, que há 44 anos trabalha no resgate, tratamento e encaminhamento de cães e gatos para adopção responsável, acolhe actualmente 152 cães e 14 gatos, num contexto marcado pelo aumento do abandono animal na região de Santarém. Criada pela iniciativa de um grupo de cidadãos sensibilizados para a necessidade de dar resposta aos animais sem abrigo, a associação foi crescendo ao longo dos anos, mas sem nunca perder a missão que esteve na sua origem. Hoje essa missão está a ser posta à prova pela pressão crescente sobre a capacidade de acolhimento.
Segundo Pedro Pinto, de 69 anos, responsável pela ASPA há cerca de 13 anos, o abandono continua a ser a principal porta de entrada de animais na associação. O caso mais recente ilustra bem a dimensão do problema: sete cachorros foram deixados à porta do canil, dentro de caixas. “Há meses particularmente críticos, como Janeiro, Fevereiro e Março, em que o abandono aumenta e as adopções diminuem significativamente”, lamenta.
Para contrariar esse cenário, a ASPA mantém um processo de adopção exigente, baseado numa candidatura, na avaliação das condições dos futuros donos e na interação entre o animal e a família candidata. Depois da entrega, continua a existir acompanhamento, o que tem contribuído para uma taxa de sucesso elevada e poucos casos de devolução. Mas os desafios não se ficam pelo excesso de animais. A associação debate-se também com dificuldades financeiras. Apesar de receber um apoio mensal de cerca de três mil euros da autarquia, Pedro Pinto sublinha que esse valor serve sobretudo para ajudar a suportar salários e encargos. O restante depende de donativos, quotas de associados e apoios de outras entidades e superfícies comerciais, nomeadamente na oferta de alimentação e bens essenciais.
A falta de recursos humanos é outro dos principais entraves. A ASPA conta com apenas dois funcionários e cerca de 20 voluntários, número manifestamente insuficiente para responder às necessidades diárias. Ainda assim, a associação desenvolve também um papel social relevante, integrando pessoas com deficiência através de programas de emprego. Na vertente clínica, a resposta também está longe do ideal. A ASPA depende do apoio do veterinário municipal, mas, perante a ausência de equipamentos próprios, é obrigada a recorrer a clínicas externas nos casos mais complexos, o que representa custos acrescidos. Ter um veterinário em permanência é um dos objectivos de longo prazo, embora Pedro Pinto o classifique como um “sonho difícil”.
A associação insiste ainda na necessidade de maior responsabilização dos donos e de uma aplicação efectiva da legislação relativa à identificação electrónica dos animais, defendendo penalizações mais pesadas para os casos de abandono. Ao mesmo tempo, apela ao reforço do voluntariado e à sensibilização da comunidade. “Os animais devem ser vistos como parte integrante da família”, defende Pedro Pinto.

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