Travessia da Ponte da Chamusca é cada vez mais um desespero
Filas no sentido Golegã/Chamusca chegam aos dois quilómetros e estão a transformar a travessia da ponte num calvário diário para centenas de condutores. Aumenta a revolta dos utilizadores que se queixam dos transtornos e da falta de uma solução para um problema que continua a estrangular a mobilidade na região.
O problema de gestão de tráfego na ponte da Chamusca continua sem solução à vista e está a levar ao limite a paciência de quem circula, sobretudo no sentido Golegã/Chamusca. Nos últimos dias, as filas de trânsito têm-se acumulado ao longo de cerca de dois quilómetros, transformando uma travessia de poucos minutos num exercício de resiliência, para utilizar uma palavra que está na ordem do dia. Nas redes sociais multiplicam-se os desabafos, as fotografias e os vídeos de condutores revoltados com uma situação que, para muitos, já ultrapassou o aceitável.
O MIRANTE já tinha noticiado, no final de Março deste ano, tempos de espera a rondar os 50 minutos e uma onda crescente de indignação entre utilizadores que denunciam prejuízos pessoais e profissionais causados pelos sucessivos congestionamentos. A travessia, crucial para a ligação entre margens e para a circulação de trabalhadores, mercadorias e serviços, tornou-se um verdadeiro funil rodoviário incapaz de responder ao volume de tráfego que suporta todos os dias. O problema não é novo, mas tem-se agravado. Desde a instalação do Eco Parque do Relvão, no início dos anos 2000, com a intensificação da circulação de pesados, a pressão sobre a infraestrutura aumentou significativamente. A isso junta-se a degradação do piso, os danos visíveis no tabuleiro e os constrangimentos criados pela cedência do talude na entrada da ponte, do lado da Golegã, situação que já este ano obrigou a limitações e reforçou a percepção de vulnerabilidade de uma passagem essencial para a região.
Para quem ali passa todos os dias, a revolta é fácil de compreender. Há trabalhadores a chegar tarde ao emprego, transportes atrasados, empresas com custos acrescidos e famílias cada vez mais reféns de uma infraestrutura estrangulada. O que se vive na ponte da Chamusca deixou há muito de ser um incómodo pontual para passar a ser um problema estrutural de mobilidade, com impacto directo na economia local e na qualidade de vida das populações.
Estudo prévio para resolver problema
A Infraestruturas de Portugal lançou um concurso público de 1,4 milhões de euros para elaborar o estudo prévio do futuro corredor rodoviário entre Vila Nova da Barquinha, com ligação à A23, e Almeirim, com ligação à A13. O procedimento visa avaliar a viabilidade e definir soluções técnicas para uma ligação há muito reivindicada na região e que poderá ter impacto directo em vários concelhos da Lezíria do Tejo, nomeadamente Vila Nova da Barquinha, Golegã, Chamusca, Alpiarça e Almeirim. No concelho da Chamusca, o estudo abrange as freguesias de Ulme, Vale de Cavalos e União de Freguesias da Chamusca e Pinheiro Grande. Embora ainda esteja numa fase preparatória e sem obra decidida, o avanço do estudo é visto como um passo importante para melhorar acessibilidades, reduzir tempos de viagem e reforçar a ligação entre o interior e os principais eixos rodoviários nacionais.


