Sociedade | 19-04-2026 07:00

Moradores de Minde contra construção de prédio mas Câmara de Alcanena diz que já não volta atrás

Moradores de Minde contra construção de prédio mas Câmara de Alcanena diz que já não volta atrás
Cerca de uma dúzia de mindericos expressaram a sua frustração e descontentamento em relação às obras na Praça Alberto Guedes - foto O MIRANTE

Construção de um novo edifício habitacional na Praça Alberto Guedes, em Minde, está a gerar forte contestação entre moradores, que criticam a localização, o impacto urbanístico e a falta de discussão pública do projecto. Na reunião de câmara de Alcanena, o executivo avisou que a obra está em curso, cumpre a lei e não será alterada.

A última reunião da Câmara de Alcanena ficou marcada por um debate tenso e prolongado em torno da construção da Casa Estaminé, um novo prédio habitacional que está a nascer na Praça Alberto Guedes, em Minde. Vários munícipes marcaram presença para manifestar desagrado com a localização e com o desenho do edifício, considerando que a intervenção desvirtua a praça mais antiga da vila e compromete a sua valorização futura. O projecto, com um investimento superior a 400 mil euros, prevê a construção de um edifício de três pisos, depois da demolição do antigo imóvel, que se encontrava degradado. Entre as vozes mais críticas esteve Pedro Micaelo. Na sua intervenção, o munícipe defendeu que a obra contraria princípios básicos de organização urbana, agrava os problemas de estacionamento e impede que aquele espaço possa tornar-se mais atractivo e funcional. Questionou ainda por que não foi ponderada a construção no terreno situado nas traseiras, que, segundo disse, é maior, está à venda e permitiria uma solução mais digna para o local. Criticou também a opção de colocar habitação no rés-do-chão, por considerar que isso inviabiliza futuros usos comerciais, como uma esplanada ou um café.
Em declarações a O MIRANTE, Pedro Micaelo afirmou que muitos habitantes se sentem enganados, lembrando que, na reunião camarária de 18 de Agosto de 2025, o presidente Rui Anastácio terá garantido que haveria auscultação pública antes de se avançar para a obra, após a demolição do edifício antigo.
Perante as críticas, o presidente da Câmara de Alcanena, Rui Anastácio, defendeu o projecto e frisou que os desenhos e planos do prédio respeitam a lei. Disse confiar no trabalho técnico dos arquitectos da autarquia e sublinhou que o município atravessa um período de investimento sem precedentes. Garantiu ainda que o espaço público da vila será debatido num processo participativo a arrancar em Maio, em colaboração com a Faculdade de Arquitectura do Porto. O autarca recordou também que a decisão de demolir e construir de raiz, em vez de reabilitar o antigo edifício, foi aprovada por unanimidade pelo executivo, depois de terem sido identificados problemas estruturais que inviabilizavam a recuperação. Já o vereador socialista Samuel Frazão fez questão de esclarecer que essa aprovação incidiu sobre um pacote alargado de intervenções e não sobre este prédio isoladamente.
Muitos moradores insistiram que a questão não está na criação de habitação, mas na forma como esta está a ser implantada num dos pontos mais emblemáticos da vila. Rui Anastácio manteve-se intransigente até ao final da discussão: a obra vai avançar e não será reformulada.

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