Moradores de Minde contra construção de prédio mas Câmara de Alcanena diz que já não volta atrás
Construção de um novo edifício habitacional na Praça Alberto Guedes, em Minde, está a gerar forte contestação entre moradores, que criticam a localização, o impacto urbanístico e a falta de discussão pública do projecto. Na reunião de câmara de Alcanena, o executivo avisou que a obra está em curso, cumpre a lei e não será alterada.
A última reunião da Câmara de Alcanena ficou marcada por um debate tenso e prolongado em torno da construção da Casa Estaminé, um novo prédio habitacional que está a nascer na Praça Alberto Guedes, em Minde. Vários munícipes marcaram presença para manifestar desagrado com a localização e com o desenho do edifício, considerando que a intervenção desvirtua a praça mais antiga da vila e compromete a sua valorização futura. O projecto, com um investimento superior a 400 mil euros, prevê a construção de um edifício de três pisos, depois da demolição do antigo imóvel, que se encontrava degradado. Entre as vozes mais críticas esteve Pedro Micaelo. Na sua intervenção, o munícipe defendeu que a obra contraria princípios básicos de organização urbana, agrava os problemas de estacionamento e impede que aquele espaço possa tornar-se mais atractivo e funcional. Questionou ainda por que não foi ponderada a construção no terreno situado nas traseiras, que, segundo disse, é maior, está à venda e permitiria uma solução mais digna para o local. Criticou também a opção de colocar habitação no rés-do-chão, por considerar que isso inviabiliza futuros usos comerciais, como uma esplanada ou um café.
Em declarações a O MIRANTE, Pedro Micaelo afirmou que muitos habitantes se sentem enganados, lembrando que, na reunião camarária de 18 de Agosto de 2025, o presidente Rui Anastácio terá garantido que haveria auscultação pública antes de se avançar para a obra, após a demolição do edifício antigo.
Perante as críticas, o presidente da Câmara de Alcanena, Rui Anastácio, defendeu o projecto e frisou que os desenhos e planos do prédio respeitam a lei. Disse confiar no trabalho técnico dos arquitectos da autarquia e sublinhou que o município atravessa um período de investimento sem precedentes. Garantiu ainda que o espaço público da vila será debatido num processo participativo a arrancar em Maio, em colaboração com a Faculdade de Arquitectura do Porto. O autarca recordou também que a decisão de demolir e construir de raiz, em vez de reabilitar o antigo edifício, foi aprovada por unanimidade pelo executivo, depois de terem sido identificados problemas estruturais que inviabilizavam a recuperação. Já o vereador socialista Samuel Frazão fez questão de esclarecer que essa aprovação incidiu sobre um pacote alargado de intervenções e não sobre este prédio isoladamente.
Muitos moradores insistiram que a questão não está na criação de habitação, mas na forma como esta está a ser implantada num dos pontos mais emblemáticos da vila. Rui Anastácio manteve-se intransigente até ao final da discussão: a obra vai avançar e não será reformulada.


