Sociedade | 19-04-2026 12:00

Portas trancadas no pavilhão de Castanheira do Ribatejo são factor de risco em caso de emergência

Portas trancadas no pavilhão de Castanheira do Ribatejo são factor de risco em caso de emergência
Folhas a dizer “porta avariada” foram colocadas em várias portas do pavilhão da Castanheira - foto O MIRANTE

Direcção do Juventude da Castanheira decidiu fechar à chave a maioria das portas do pavilhão desportivo que utiliza e possibilitar a entrada apenas por duas portas, uma no bar e outra num ginásio que ali funciona. Desacatos recentes num jogo de futsal vieram alertar para dificuldades de evacuação do recinto em caso de emergência.

O pavilhão municipal de Castanheira do Ribatejo, gerido pelo Juventude da Castanheira, tem a maioria das portas fechadas, incluindo a de emergência, algumas por precisarem de reparação e outras por decisão da direcção do clube, situação que tem merecido queixas de alguns pais de atletas. A situação veio a lume há quinze dias quando desacatos durante um jogo de futsal dentro do pavilhão obrigaram à intervenção de uma dezena de militares da GNR.
Durante a confusão para sair do edifício vários utilizadores confrontaram-se com portas fechadas, incluindo a única porta de emergência existente no espaço, que tem afixado um papel a dizer para não ser aberta por se encontrar avariada. “Quando desatou imensa gente à pancada dentro do pavilhão aquilo foi surreal, as pessoas não tinham por onde fugir. Só há uma porta aberta, quando o ginásio está fechado, e todos temos de sair pela mesma, que dá acesso ao bar. Isto não é aceitável”, critica a O MIRANTE Hélder Pereira, pai de um atleta de futsal.
O nosso jornal confirmou que a maioria das portas está fechada e com folhas afixadas a dizer que se encontram avariadas. “A porta de emergência avariada e fechada é o caso mais grave. Tem uma barra lateral para, em caso de incêndio, poder abrir, mas assim corremos o risco de morrer toda a gente lá dentro, se houver uma calamidade”, alerta Hélder Pereira. Alguns pais de atletas já escreveram ao clube e à Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE).

Clube diz estar a tratar do problema
O pavilhão é propriedade da Câmara de Vila Franca de Xira, responsável pela realização de obras de maiores dimensões em caso de necessidade. Mas o protocolo de cedência do edifício prevê que seja o clube a tratar das pequenas manutenções. Contactado pelo nosso jornal, Miguel Rotena, presidente do Juventude da Castanheira, diz que o que se está a passar é do conhecimento da câmara e reconhece que as portas foram fechadas para regular a circulação no espaço. “Há uma ou duas portas com as dobradiças partidas, situação que se agravou com o mau tempo de Fevereiro. A construção do pavilhão tem uns 17 anos e já não é fácil encontrar estas dobradiças, por isso temos de manter as coisas minimamente preservadas”, explica.
O dirigente confirma que o clube quer os visitantes a entrar no pavilhão pela porta do bar para não ter todas as portas abertas a causar correntes de ar no espaço. “Só temos uma porta de emergência, está com um papel a dizer avariada para não a abrirem, porque depois não a deixavam fechada como deve ser e ficava aberta durante a noite. As outras portas estão fechadas. E mesmo assim já temos bastante corrente de ar dentro do pavilhão”, explica, considerando que alguns pais estão a fazer do assunto uma tempestade num copo de água.
“Algumas coisas estão identificadas desde Novembro e já tivemos reunião com os técnicos da câmara que tratam da manutenção dos pavilhões, disseram-nos que iam recuperar a porta de emergência avariada o mais rapidamente possível. Mas é pena que nunca tenha aparecido um pai para nos ajudar a reparar o que é preciso reparar”, lamenta.
Miguel Rotena admite que ter a porta de emergência fechada não é aceitável e garante que o clube está a diligenciar para resolver a situação. Durante a semana o espaço é frequentado por 400 atletas e aos fins de semana, entre futebol de onze e futsal, chegam a haver entre 6 e 10 jogos no complexo desportivo.
A O MIRANTE, a Câmara de Vila Franca de Xira refere que a gestão do edifício compete ao clube, bem como o funcionamento das portas, acessos e circulação do público. Não obstante, o município diz ter programado para breve uma visita técnica ao pavilhão, visando aferir a possibilidade de colaborar com o clube na resolução de alguns dos problemas identificados.

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