Portas trancadas no pavilhão de Castanheira do Ribatejo são factor de risco em caso de emergência
Direcção do Juventude da Castanheira decidiu fechar à chave a maioria das portas do pavilhão desportivo que utiliza e possibilitar a entrada apenas por duas portas, uma no bar e outra num ginásio que ali funciona. Desacatos recentes num jogo de futsal vieram alertar para dificuldades de evacuação do recinto em caso de emergência.
O pavilhão municipal de Castanheira do Ribatejo, gerido pelo Juventude da Castanheira, tem a maioria das portas fechadas, incluindo a de emergência, algumas por precisarem de reparação e outras por decisão da direcção do clube, situação que tem merecido queixas de alguns pais de atletas. A situação veio a lume há quinze dias quando desacatos durante um jogo de futsal dentro do pavilhão obrigaram à intervenção de uma dezena de militares da GNR.
Durante a confusão para sair do edifício vários utilizadores confrontaram-se com portas fechadas, incluindo a única porta de emergência existente no espaço, que tem afixado um papel a dizer para não ser aberta por se encontrar avariada. “Quando desatou imensa gente à pancada dentro do pavilhão aquilo foi surreal, as pessoas não tinham por onde fugir. Só há uma porta aberta, quando o ginásio está fechado, e todos temos de sair pela mesma, que dá acesso ao bar. Isto não é aceitável”, critica a O MIRANTE Hélder Pereira, pai de um atleta de futsal.
O nosso jornal confirmou que a maioria das portas está fechada e com folhas afixadas a dizer que se encontram avariadas. “A porta de emergência avariada e fechada é o caso mais grave. Tem uma barra lateral para, em caso de incêndio, poder abrir, mas assim corremos o risco de morrer toda a gente lá dentro, se houver uma calamidade”, alerta Hélder Pereira. Alguns pais de atletas já escreveram ao clube e à Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE).
Clube diz estar a tratar do problema
O pavilhão é propriedade da Câmara de Vila Franca de Xira, responsável pela realização de obras de maiores dimensões em caso de necessidade. Mas o protocolo de cedência do edifício prevê que seja o clube a tratar das pequenas manutenções. Contactado pelo nosso jornal, Miguel Rotena, presidente do Juventude da Castanheira, diz que o que se está a passar é do conhecimento da câmara e reconhece que as portas foram fechadas para regular a circulação no espaço. “Há uma ou duas portas com as dobradiças partidas, situação que se agravou com o mau tempo de Fevereiro. A construção do pavilhão tem uns 17 anos e já não é fácil encontrar estas dobradiças, por isso temos de manter as coisas minimamente preservadas”, explica.
O dirigente confirma que o clube quer os visitantes a entrar no pavilhão pela porta do bar para não ter todas as portas abertas a causar correntes de ar no espaço. “Só temos uma porta de emergência, está com um papel a dizer avariada para não a abrirem, porque depois não a deixavam fechada como deve ser e ficava aberta durante a noite. As outras portas estão fechadas. E mesmo assim já temos bastante corrente de ar dentro do pavilhão”, explica, considerando que alguns pais estão a fazer do assunto uma tempestade num copo de água.
“Algumas coisas estão identificadas desde Novembro e já tivemos reunião com os técnicos da câmara que tratam da manutenção dos pavilhões, disseram-nos que iam recuperar a porta de emergência avariada o mais rapidamente possível. Mas é pena que nunca tenha aparecido um pai para nos ajudar a reparar o que é preciso reparar”, lamenta.
Miguel Rotena admite que ter a porta de emergência fechada não é aceitável e garante que o clube está a diligenciar para resolver a situação. Durante a semana o espaço é frequentado por 400 atletas e aos fins de semana, entre futebol de onze e futsal, chegam a haver entre 6 e 10 jogos no complexo desportivo.
A O MIRANTE, a Câmara de Vila Franca de Xira refere que a gestão do edifício compete ao clube, bem como o funcionamento das portas, acessos e circulação do público. Não obstante, o município diz ter programado para breve uma visita técnica ao pavilhão, visando aferir a possibilidade de colaborar com o clube na resolução de alguns dos problemas identificados.


