Concentração de partículas no ar em Alhandra baixou mas continua a haver picos de poluição
Estação de medição da qualidade do ar situada no centro náutico da Cimpor, em Alhandra, é a que regista mais vezes valores acima do limite recomendado por lei, revelam relatórios mensais do município de Vila Franca de Xira.
O ar que se respira em Alhandra e nas proximidades da freguesia tem tido, na generalidade, boa qualidade mas continuam a haver picos de poluição, chegando mesmo a registar-se meses em que as concentrações de partículas em suspensão estão acima do desejável. Os dados constam dos relatórios mensais produzidos pela Câmara de Vila Franca de Xira, que avalia as partículas em suspensão (PM10) em cinco estações: Escola Primária da Quinta da Marquesa, Reservatório de Água da Quinta da Escusa, Cemitério de Alhandra, Piscina da Cimpor e no Centro Náutico da Cimpor. É nesta última estação, de resto, que se têm verificado picos de poluição nas medições.
As partículas PM10 são aquelas que conseguem penetrar nas vias respiratórias com repercussões ao nível da saúde das populações, principalmente nos grupos de risco (pessoas asmáticas, crianças, idosos), já que as partículas de diâmetro inferior a 2,5 µm conseguem penetrar nos alvéolos pulmonares (brônquios e pulmões).
Por lei o valor limite diário das partículas inaláveis PM10 deve ser de 50 microgramas por metro cúbico (µm), valor que não deve ser excedido mais de 35 vezes em cada ano para medições em contínuo. Apesar das estações de medição não registarem estes valores mais do que 35 vezes em cada ano, houve meses em que os valores registados foram acima das 50µm, todas nas estações das piscinas da Cimpor e no centro náutico da Cimpor, em Alhandra. Segundo os dados consultados por O MIRANTE, no último ano, o mês de Agosto foi o que registou maior quantidade destas partículas em suspensão, tendo sido registadas nessas duas estações valores de 56µm no centro náutico e 64µm nas piscinas. Nesse mês, das 12 medições realizadas na estação do centro náutico, duas registaram valores acima dos 50µm. E na estação das piscinas, das 10 medições realizadas, uma superou os limites.
No total, foram registadas no último ano oito medições acima do limite recomendado por lei, nos meses de Junho, Julho, Agosto, Outubro e Novembro. Pela positiva destacam-se os meses de Janeiro a Junho, onde os valores de poluição destas partículas - que têm diversas origens, desde produção industrial a tráfego automóvel - se mantiveram dentro dos valores recomendados por lei. Já este ano, o mês de Janeiro foi o primeiro a registar um valor acima das 50µm, novamente na estação situada no centro náutico da Cimpor, com um registo de 52µm nas onze medições ali efectuadas.
Último estudo há três anos
A Câmara de Vila Franca de Xira confirma a O MIRANTE manter uma actualização regular dos dados e relatórios provenientes das cinco estações de monitorização localizadas em pontos estratégicos da vila de Alhandra, nomeadamente no que respeita às partículas em suspensão (PM10). “Esta rede, implementada na década de 90, integra actualmente cinco estações de monitorização. O município tem vindo também a desenvolver, em colaboração com diversas entidades, estudos complementares de avaliação da qualidade do ar no concelho, cujos relatórios e conclusões se encontram igualmente disponíveis para consulta”, refere.
Em 2023, recorde-se, um estudo encomendado pela câmara ao Departamento de Ciências e Engenharia do Ambiente da Universidade Nova de Lisboa concluiu que na generalidade o ar que se respira no concelho de VFX é de qualidade, exceptuando as zonas próximas da Auto-Estrada do Norte (A1) e da Estrada Nacional 10 (EN10), entre a Póvoa de Santa Iria e Vila Franca de Xira, onde ainda se registam elevadas concentrações de gases e partículas em suspensão.
Exposição prolongada a partículas tira meses de vida
Um estudo realizado pela Agência Europeia do Ambiente revelou que a exposição prolongada a estas partículas em suspensão, nomeadamente as PM10 e PM2.5, reduz em média quase nove meses de vida de cada europeu. Em cada ano, mais de 280 mil mortes prematuras são atribuídas à exposição prolongada deste poluente nos 27 países da União Europeia. O mesmo estudo revela ainda um elevado número de casos de bronquite crónica e de admissões hospitalares devido a sintomas de doenças respiratórias e cardiovasculares diagnosticadas em crianças e adultos que poderão ser atribuídos à exposição a esse poluente.
O relatório de 2016 sobre a qualidade do ar da Agência Europeia do Ambiente divulgado em Novembro desse ano, estima que em Portugal, por ano, morram prematuramente 6.640 pessoas devido a doenças respiratórias, cardiovasculares ou cancerígenas devido à má qualidade do ar, sendo que em termos de danos à saúde humana as partículas finas em suspensão, o dióxido de azoto e o ozono ao nível de superfície são os poluentes mais preocupantes.


