Novo comandante da GNR de Santarém quer reduzir risco nas estradas e defender os mais frágeis
Novo comandante territorial quer uma Guarda mais próxima, visível e presente no distrito. João Paulo Santos assume como prioridades a protecção dos idosos, vítimas de violência doméstica e crianças, o combate à sinistralidade rodoviária e a prevenção dos incêndios rurais.
A protecção das populações mais vulneráveis, o combate à sinistralidade rodoviária e a prevenção dos incêndios rurais são as grandes prioridades do novo comandante do Comando Territorial da GNR de Santarém. Dois meses depois de ter assumido funções, João Paulo Santos traça um retrato exigente do distrito e defende uma Guarda mais próxima, previsível e presente no terreno. “Santarém é um distrito simultaneamente urbano e rural, com forte mobilidade, diversidade territorial e realidades muito distintas, o que exige uma actuação baseada na presença diária, na previsibilidade e na confiança das populações”, afirmou o comandante à agência Lusa.
Natural de Alvega, no concelho de Abrantes, João Paulo Santos, de 50 anos, tomou posse a 20 de Fevereiro, sucedendo a Duarte da Graça. Antes disso, desempenhava desde 2023 o cargo de 2.º comandante do Comando Territorial de Santarém. Ao longo do percurso passou também pelos destacamentos de Abrantes e Ponte de Sor e pelo Comando Territorial de Leiria. No plano operacional, o comandante coloca entre as preocupações centrais a defesa dos idosos, das vítimas de violência doméstica e das crianças, a par da prevenção da criminalidade e da redução da mortalidade nas estradas. “Proteger os mais vulneráveis, servir o interior com proximidade, prevenir a sinistralidade rodoviária e preservar o meio ambiente são prioridades permanentes da nossa actuação”, sublinhou.
A complexidade do distrito, que junta zonas urbanas, rurais, industriais e florestais, obriga, diz, a uma gestão flexível dos meios. Isso passa por reforçar o patrulhamento no interior, garantir presença nos principais eixos rodoviários e apostar na fiscalização ambiental em meio florestal e agrícola. Na frente rodoviária, João Paulo Santos admite preocupação com o peso do tráfego nas principais vias do distrito, como as autoestradas 1, 13, 15 e 23. O objectivo é manter uma fiscalização activa e uma presença permanente da Guarda, numa altura em que os números mostram agravamento. Em 2025, a GNR registou 5.355 acidentes no distrito, mais 327 do que em 2024, quando se contabilizaram 5.028. O número de mortos também subiu, passando de 28 para 30. “Temos muitas vítimas por despiste e colisões associadas a ultrapassagens e comportamentos de risco, o que exige uma condução defensiva e uma forte presença da Guarda”, alertou.
Outra frente prioritária é a dos incêndios rurais. Num distrito com forte componente agrícola e florestal, a GNR assume um papel central na vigilância, fiscalização e investigação. Os dados revelam um agravamento do número de ocorrências, que passaram de 342 em 2024 para 419 em 2025. No ano passado foram ainda detidas três pessoas, constituídos cinco arguidos e identificados 22 suspeitos. Em 2024 não houve detenções, tinham sido constituídos quatro arguidos e identificados 13 suspeitos. O comandante destaca também o papel do SEPNA, que considera “um pilar essencial” na protecção dos recursos naturais e no combate aos crimes ambientais, e sublinha a importância do policiamento de proximidade, sobretudo nas zonas envelhecidas e mais isoladas do distrito.
Quanto à criminalidade, os dados da GNR apontam para uma subida da criminalidade geral, de 9.471 ocorrências em 2024 para 9.860 em 2025. Em sentido contrário, a criminalidade violenta e grave desceu de 232 para 214 casos, tal como os crimes de violência doméstica, que passaram de 751 para 700 participações. Para João Paulo Santos, o contexto é de elevada exigência e forte escrutínio, o que obriga a uma gestão rigorosa dos recursos humanos e operacionais. “Vivemos uma realidade exigente, onde é fundamental investir na recolha de informação e numa investigação eficiente para que a justiça seja célere”, defendeu, deixando uma ideia simples sobre o desafio diário no terreno: “Não podemos deixar uma ocorrência sem resposta”.


