Santarém entre as unidades do INEM com falta de meios e viaturas envelhecidas
Ministra da Saúde reconheceu no Parlamento que a gestão das greves no INEM em 2024 falhou e admitiu que o instituto não se apercebeu da possibilidade de decretar serviços mínimos. Entre os exemplos apontados de meios inoperacionais por falta de recursos humanos e desgaste das viaturas surgiu Santarém, ao lado de Setúbal e Guarda.
Santarém foi um dos territórios citados na terça-feira, 21 de Abril, pela ministra da Saúde, Ana Paula Martins, como exemplo das fragilidades operacionais que continuam a afectar o INEM. Na comissão parlamentar de inquérito ao instituto, a governante admitiu que a gestão das duas greves de 2024 “podia ter sido mais bem feita” e reconheceu também que o INEM “não se terá apercebido” de que podia avançar para a definição de serviços mínimos.
A audição centrou-se nas paralisações dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar, entre 30 de Outubro e 4 de Novembro de 2024, período em que, segundo a Inspecção-Geral das Actividades em Saúde, se registaram 12 mortes, três das quais associadas a atrasos no socorro. Ana Paula Martins lembrou que um parecer do Conselho Superior do Ministério Público, solicitado pelo antigo ministro Paulo Macedo, considerava legal a greve às horas extraordinárias, mas sublinhava que, tratando-se de greves na área da saúde e envolvendo cuidados urgentes e inadiáveis, deveriam ter sido negociados serviços mínimos.
Questionada directamente sobre se a direcção do INEM falhou ao não contestar a ausência desses serviços mínimos, a ministra respondeu que admite, à luz do que hoje sabe, que o instituto não se apercebeu dessa possibilidade. Reconheceu ainda que, perante a junção de duas greves num dia em que o volume de chamadas subiu 30% acima do habitual, o sistema entrou em ruptura. “Foi a tempestade perfeita”, afirmou, referindo-se ao dia 4 de Novembro de 2024, que disse ter registado o maior número de chamadas da história do INEM.
Foi já na parte final da audição que Ana Paula Martins apontou problemas concretos de operacionalidade em várias zonas do país, incluindo Santarém. Segundo a ministra, há meios do INEM parados não apenas por falta de recursos humanos para preencher escalas, mas também porque há viaturas que já não estão nas melhores condições. Santarém, Setúbal e Guarda foram os exemplos dados pela governante.


