Sociedade | 25-04-2026 08:19

Veterinária é uma profissão de vocação e desafios mas impacto silencioso na sociedade

Veterinária é uma profissão de vocação e desafios mas impacto silencioso na sociedade

Com 25 anos de carreira, a médica veterinária Ana Leonardo reflecte nesta conversa com O MIRANTE sobre uma profissão marcada pela ligação profunda aos animais, pela dificuldade de diagnóstico sem comunicação verbal, pela evolução técnica e pela falta de valorização social. Uma conversa a propósito do Dia Mundial da Medicina Veterinária que se assinala este sábado, 25 de Abril.

A Medicina Veterinária é uma profissão de vocação, marcada por grande exigência emocional, evolução técnica significativa mas ainda insuficiente valorização social, apesar do impacto directo que tem na saúde animal e humana.
A médica veterinária Ana Leonardo, com 25 anos de experiência e que lidera o Centro de Recolha Oficial (CRO) do município de Vila Franca de Xira, descreve a sua carreira como um percurso guiado por um sentido profundo de missão. Para ela, ser veterinária significa sentir diariamente que contribui para melhorar o mundo à sua volta, através do cuidado com os seres vivos com quem se cruza.
Ana Leonardo sempre gostou de animais e decidiu seguir veterinária como primeira opção. Um dado que destaca com preocupação é o impacto emocional da profissão. A medicina veterinária apresenta uma das taxas de desgaste psicológico mais elevadas, incluindo uma taxa de suicídio significativa entre os profissionais. Isto deve-se a vários fatores: decisões difíceis, limitações económicas dos tutores que impedem tratamentos, perda de animais que poderiam ser salvos e a carga emocional constante associada ao trabalho.
Acrescenta ainda que a profissão é frequentemente romantizada. Existe a ideia de que o veterinário trabalha apenas por amor aos animais, ignorando-se que se trata de uma profissão com custos de vida, responsabilidades familiares e exigências financeiras. Esta realidade contribui para o desgaste emocional dos profissionais.
Um dos maiores desafios da medicina veterinária, explica, é trabalhar com animais que não conseguem comunicar verbalmente a dor ou o desconforto. O diagnóstico depende da observação atenta e da interpretação da linguagem não verbal: posturas corporais, comportamentos, sons e sinais específicos.

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